Em sete anos, a Chevrolet perdeu quase metade do volume de vendas que tinha no Brasil e despencou do topo do mercado para o terceiro lugar do ranking. O lugar pode ser tomado pela montadora chinesa BYD que já ameaça tomar essa posição, em um momento em que a relação com os concessionários vive um desgaste cada vez maior. Em 2019, o Onix isolado já superava em mais do dobro as vendas do carro que ficou em segundo lugar.
O total de emplacamentos anuais da marca foi de 475.684 unidades em 2019 para 275.965 em 2025, uma retração de 41,2%. Já a fatia de mercado ocupada pela Chevrolet caiu de 17,8% para 10,8% no período, mesmo com o volume geral de vendas de veículos praticamente estável, saindo de 2.658.923 unidades para 2.549.462 unidades.
Insatisfação na rede concessionária
Uma pesquisa recente da Fenabrave mostrou que a rede Chevrolet teve a pior avaliação entre as concessionárias na resposta à pergunta “os produtos da minha montadora são o que o cliente quer”. Os lojistas também relataram insatisfação com a remuneração por venda e com as perspectivas de valorização futura da marca.
Mais de 550 lojas compõem a rede Chevrolet no Brasil, uma das maiores do país, ao lado das redes Fiat e Volkswagen. Com cerca de 10% do mercado distribuído entre tantos pontos de venda, o modelo de negócio se tornou insustentável para os concessionários.
Os números evidenciam o cenário agudo: em 2026, a Chevrolet vendeu 197 mil carros, mas mais da metade, cerca de 110 mil unidades, teve como destino grandes clientes corporativos, e não o consumidor final. Restaram por volta de 87 mil veículos para o varejo, o que resulta em uma média de aproximadamente 20 unidades mensais por concessionária — ou seja, cada loja fecha menos de uma venda por dia para pessoas físicas.
Concorrência acirrada e avanço chinês
Fiat e Volkswagen avançaram, e a Fiat liderou o ranking em 2025, com 20,9% do mercado. A Volkswagen ficou em segundo, com 17,1%. Em agosto de 2026, a BYD ficou a apenas 3 mil carros da Chevrolet, que estava quase 14 mil unidades atrás da Volkswagen.
O desgaste não começou agora. Desde 2019, a Chevrolet enfrentou crises sucessivas. A falta de semicondutores durante a pandemia fez o Onix perder a liderança para a Fiat Strada, que o modelo nunca recuperou. Problemas com a correia banhada a óleo dos motores de três cilindros prejudicaram a reputação da marca. Recentemente, marcas chinesas ganharam espaço no mercado brasileiro.
Nem mesmo o Sonic, maior lançamento da Chevrolet em 2026, conseguiu reverter a tendência. O SUV de entrada teve menos de 3 mil emplacamentos mensais nos últimos meses, abaixo do Nissan Kait e distante dos líderes Fiat Pulse e Volkswagen Tera.
Estratégia futura e produtos chineses
Procurada pela Autoesporte, a Chevrolet afirmou que General Motors e Abrac atuam em conjunto e de forma permanente com a rede, buscando construir alternativas que garantam a competitividade do negócio, o retorno financeiro dos concessionários e um bom atendimento aos consumidores. Recentemente, a marca ofereceu incentivos para que as concessionárias mantenham o terceiro lugar.
O cenário mostra que manter a terceira colocação exige esforço contínuo em produtos e na relação com a rede de distribuição que sustenta a presença da Chevrolet no varejo.










