A tartaruga-de-couro é a maior tartaruga viva do mundo. Entre 2006 e o início de 2008, um indivíduo rastreado por satélite percorreu 20.558 km em 647 dias, em uma das migrações mais longas já registradas para um réptil.
O animal saiu da praia de Jamursba-Medi, em Papua, na Indonésia, e chegou à costa do Oregon, nos Estados Unidos. A distância equivale a praticamente atravessar metade do planeta.
A migração rendeu ao animal um lugar no Guinness World Records em 2008.
Como a tartaruga ajusta a rota
Um estudo publicado na revista Science Advances investigou como tartarugas marinhas conseguem se orientar durante grandes deslocamentos. Pesquisadores da Universidade de Deakin, em parceria com cientistas dos Estados Unidos, Itália e Reino Unido, equiparam seis fêmeas adultas de tartaruga-verde com rastreadores de satélite após o período de desova no arquipélago de Chagos, no oceano Índico.
Os equipamentos permitiram acompanhar os deslocamentos e mapear as mudanças de direção dos animais. Os dados mostraram que, quando precisam corrigir a rota, as tartarugas não fazem mudanças bruscas. As curvas graduais levam entre 15 e 24 horas para serem concluídas.
O possível mapa magnético
Os animais acompanhados no estudo percorreram mais de mil quilômetros em viagens que duraram, em média, 27,5 dias até as ilhas Seychelles ou o Banco Saya de Malha.
Segundo Graeme Hays, os resultados indicam que as tartarugas provavelmente sabem para onde estão indo e podem utilizar um “mapa magnético” para se orientar.
A tartaruga-de-couro é a única espécie de tartaruga marinha sem uma carapaça óssea rígida. Seu casco é coberto por uma pele resistente. Ao contrário de outras tartarugas marinhas, ela forrageia em mar aberto e percorre grandes distâncias em busca de alimento.
Riscos durante as migrações
As longas travessias expõem a espécie a diferentes ameaças, como poluição plástica, captura acidental pela pesca e mudanças climáticas. Alterações na temperatura da água também podem afetar a disponibilidade de alimento e os locais de desova.
Por isso, compreender os trajetos percorridos pelas tartarugas é importante para identificar áreas de risco e orientar medidas de conservação.
O monitoramento por satélite ajuda pesquisadores a entender esses deslocamentos e os desafios enfrentados pelos animais durante as migrações.










