Rehan Staton acordava às 4 da manhã para trabalhar na coleta de lixo antes de ir às aulas. A rotina exigente marcou seus anos de faculdade enquanto ele tentava ser aceito na Harvard Law School. Aos 24 anos, foi aprovado em um dos programas de Direito mais prestigiosos do mundo, depois de uma trajetória marcada por pobreza, abandono e trabalho manual.
Cresceu em Bowie, Maryland. Aos 8 anos, sua mãe abandonou a família e se mudou para o exterior. O pai trabalhou em vários empregos para sustentar Rehan e o irmão mais velho, Reggie. A instabilidade financeira fez suas notas caírem durante a adolescência.
Do boxe à rejeição nas faculdades
Diante das dificuldades, canalizou a energia para o esporte e se destacou no boxe e nas artes marciais, com títulos nacionais e internacionais.
Uma lesão no manguito rotador, porém, encerrou seus planos no esporte profissional. Quando terminou o ensino médio, foi rejeitado por todas as faculdades em que se candidatou.
Em vez de desistir, começou a trabalhar na Bates Trucking and Trash. Lá, encontrou pessoas que acreditavam nele. “Foi a primeira vez na minha vida que um grupo de pessoas que não eram meu pai ou meu irmão simplesmente apareceu e me potencializou”, contou à rede Today.
Brent Bates, um dos donos da empresa, ajudou-o a se matricular na Bowie State University, onde obteve média 4.0 antes de se transferir para a Universidade de Maryland.
O AVC do pai e a volta ao trabalho
Durante o terceiro ano em Maryland, o pai sofreu um acidente vascular cerebral, e Rehan precisou voltar à Bates para salvar a casa da família. Acordava às 4 da manhã para cumprir o turno de coleta antes de seguir para as aulas. Formou-se em 2018 com honras e foi escolhido para fazer o discurso de encerramento.
No LSAT, teste de admissão para faculdades de Direito, obteve pontuação no 80º percentil e se candidatou a instituições de elite, incluindo Harvard.
Harvard e a campanha que superou a meta
Para custear a Harvard Law School, uma coach de comunicação chamada Carmie McCook, que Rehan chama de “Ma”, iniciou uma campanha no GoFundMe. A meta era de US$ 75 mil, mas a arrecadação passou de US$ 185 mil.
Rehan gravou o momento em que abriu a carta de aceitação, com o irmão ao lado. “Depois de tudo que passamos como família, sentia que entramos em Harvard juntos”, disse.










