Voltar a estudar depois de muitos anos pode ser um desafio imenso para muitas pessoas. Especialmente para aqueles que abandonaram os estudos ainda cedo, o retorno ao aprendizado ainda está envolto de outros diversos contextos. Mesmo assim, tanto a Educação de Jovens e Adultos (EJA), quanto as qualificações profissionais, cumprem papéis muito importantes.
Este foi o caso de João Monte Rodrigues, que havia deixado os estudos ainda no ano de 1979. Ele decidiu retomar o aprendizado ao mesmo tempo que sua filha. Os dois foram aprovados no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e ingressaram no ano de 2018, na Universidade Federal do Ceará, em cursos de Engenharia.
O caso chamou a atenção de um noticiário local, que tratou do tema em uma reportagem sobre pai e filha. A trajetória começou em 2012, quando os dois se matricularam no ensino médio de uma escola pública em Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza.
Na comunidade indígena dos Tapeba, no bairro de Capua, João trabalhava como faxineiro. Aos 52 anos de idade, e Ester Ferreira Rodrigues, que tinha 17 na época, decidiram ingressar em Engenharia de Petróleo e Engenharia de Ambienal, respectivamente.
Pai e filha ingressam em cursos de Engenharia
Ele abandonou a escola ainda em 1979 para trabalhar na roça. Durante décadas, imaginou que a faculdade seria um sonho distante e quase impossível. Voltou aos estudos motivado pela exigência de certificação do ensino médio que as empresas passaram a cobrar.
A coordenadora pedagógica da Escola de Ensino Médio José Alexandre, Eunice dos Santos, acompanhou sua dedicação aos estudos. De acordo com ela, alunos dessa faixa etária normalmente trabalham o dia todo, o que dificulta o aprendizado. Mas esse não foi o caso de João. Ele demonstrava interesse pelos estudos. “Tinha assiduidade até maior que a de jovens”, disse Eunice.
Desafios e perspectivas para o ingresso
A aprovação veio pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), e a matrícula foi efetivada em fevereiro de 2018. Contudo, João Monte ainda teve o desafio de conciliar o curso de Engenharia de Petróleo, que funciona em período integral com o seu emprego. Durante o dia, ele manteve um compromisso profissional em uma repartição pública.
Sua permanência passou a depender também da concessão da Bolsa Permanência, um auxílio financeiro destinado para pessoas indígenas e quilombolas. Como indígena e egresso de escola pública, João pertence a grupos contemplados por ações afirmativas no ingresso ao ensino superior.










