Comunidades menores de vários países europeus passaram a usar uma estratégia em comum para combater o envelhecimento populacional: atrair novos residentes com incentivos financeiros e apoio prático.
Cidades inteiras oferecem casas baratas, subsídios e até dinheiro a quem se muda e cria raízes no local. A prática ganhou força nos últimos anos e, em 2026, várias regiões mantêm programas ativos para receber quem busca recomeçar em cidades menores.
Os programas variam: vão da ajuda para comprar um imóvel ao subsídio de aluguel. O objetivo, porém, é o mesmo: trazer pessoas para revitalizar vilas que perderam população ao longo das décadas.
Itália oferece incentivos financeiros para compradores de pequenos municípios
Radicondoli, uma vila medieval localizada na Toscana, Itália, tornou-se um dos casos mais recentes de uma pequena comunidade que luta contra o esvaziamento.
O prefeito Francesco Guarguaglini ampliou os incentivos a partir de 2025, destinando mais de €400 mil em 2026 para atrair novos moradores. O pacote oferecido pela cidade vai do auxílio à compra de imóvel a subsídios para usuários de energia verde e estudantes.
Novos residentes podem receber até €6 mil adicionais para despesas como transporte, aquecimento e energia sustentável. Para atrair mais candidatos, Radicondoli cobre metade dos dois primeiros anos de aluguel para quem se candidatar até dezembro de 2025 e se mudar até o início de 2026.
Compradores precisam se comprometer a ficar pelo menos dez anos; inquilinos, no mínimo quatro. Desde que lançou os incentivos, em 2023, a vila recebeu cerca de 60 novos residentes. A população caiu de 3 mil para 966 habitantes no último século. Das aproximadamente 450 casas da vila, 100 ainda estão vazias, mas a cidade se diferencia de programas que oferecem casarões em ruínas por um euro.
Radicondoli enfatiza que suas propriedades mantêm valor real de mercado e muitas já são habitadas ou bem mantidas.
Espanha conecta empreendedores a pequenas comunidades rurais
Cidades espanholas como Ponga, na região das Astúrias, e localidades da Extremadura também ofereciam programas de relocação havia anos. Mas os processos de candidatura pela administração local eram difíceis de acompanhar.
Para simplificar o caminho, surgiram duas plataformas que funcionam como intermediárias entre interessados e municípios. O Holapueblo começa seu sexto programa de relocação em 2026, com inscrições abertas. O projeto destina-se principalmente a empreendedores que desejam criar um negócio em comunidade pequena.
A organização procura municípios que buscam novos habitantes e oferecem incentivos, como casas acessíveis e serviços comunitários. Depois, conecta os interessados a essas cidades e oferece suporte durante o processo de candidatura e criação do negócio.
Já o programa Volver al Pueblo funciona de forma semelhante e reúne ofertas de imóveis, empregos, negócios e terrenos em áreas rurais. Por meio do mapa de recursos disponível no site, os interessados encontram dezenas de casas a preços razoáveis e oportunidades de trabalho. A plataforma também orienta candidatos em todas as etapas do processo de mudança.
Irlanda investe até €70 mil na restauração de casas em ilhas
Em 2023, a Irlanda lançou um programa que oferece até €70 mil a quem comprar uma casa vaga, construída antes de 2007 e desocupada por pelo menos dois anos, para transformá-la em residência permanente ou imóvel de aluguel em comunidades insulares. O programa busca aumentar a população e fortalecer comunidades em ilhas remotas.
Um auxílio padrão de até €50 mil está disponível para restauração completa. Se os custos de reforma ultrapassarem esse valor e a propriedade for comprovadamente degradada, há ainda um subsídio adicional de até €20 mil. O objetivo é atrair novos residentes para essas comunidades.










