Em 1941, poucos dias antes de seu casamento com Donna Young, marcado para outubro em Hollywood, o sargento James “Jimmy” Murray, da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos, embarcou para as Filipinas. Ele deixou a noiva nos Estados Unidos e nunca voltou para casa.
Após o bombardeio japonês à base de Clark Field, em 8 de dezembro de 1941, um dia depois do ataque a Pearl Harbor, Murray escreveu a Donna dizendo que estava bem e que ela não deveria se preocupar. Foi a última mensagem que ela recebeu.
Anos depois, Donna descobriu que Murray havia morrido de doença ao encontrar o nome dele em uma lista da Cruz Vermelha com prisioneiros americanos mortos.
O que aconteceu nas Filipinas
Murray havia chegado às Filipinas para integrar o 93º Esquadrão de Bombardeio, em Clark Field. Depois do ataque japonês, o país foi invadido e os combates se prolongaram por meses.
Em 9 de abril de 1942, forças americanas e filipinas se renderam na península de Bataan. Murray foi capturado e obrigado a percorrer cerca de 65 milhas, ou 105 quilômetros, durante a Marcha da Morte de Bataan, em condições brutais.
Depois da marcha, ele foi enviado ao campo de prisioneiros de guerra de Cabanatuan, onde mais de 2.500 prisioneiros morreram de fome e doenças. Murray morreu em 7 de janeiro de 1943, aos 25 anos, e foi enterrado no cemitério do campo junto a outros três prisioneiros.
DNA revelou a identidade
Por décadas, a família não soube exatamente onde Murray estava enterrado. Ele permaneceu como soldado desconhecido no Cemitério Americano de Manila, junto aos outros três corpos não identificados.
Em 2019, a Agência de Contabilidade de Prisioneiros de Guerra e Desaparecidos (DPAA) exumou os quatro restos mortais como parte do Projeto Cabanatuan, iniciado em 2014 para identificar 1.002 soldados enterrados como desconhecidos no antigo cemitério do campo.
A agência solicitou uma amostra de DNA da parente viva mais próxima. A prima de Murray, Jo Ann Hunter, tinha apenas 5 anos quando ele foi capturado e nunca chegou a conhecê-lo. O material genético fornecido por ela permitiu confirmar a identidade do soldado.
Hunter havia crescido acreditando que o primo tinha morrido em Pearl Harbor. Em 15 de abril de 2026, ela compareceu ao funeral de Murray no Cemitério Nacional de Arlington, acompanhada da filha, Kim Cory, e de outros familiares.
Durante a cerimônia, Hunter recebeu a bandeira que cobria o caixão. Ao final, sua filha mostrou à equipe da DPAA um cálice de prata que havia sido presenteado ao pai de Murray pelo 83º Field Artillery para celebrar o nascimento do filho.
O objeto, guardado pela família por décadas, voltou a ficar próximo de Murray no momento em que sua história finalmente teve um desfecho.










