A rotina no balcão da loja em Franca, no interior de São Paulo, marcou a infância e a adolescência de Luiza Helena Trajano. O negócio havia sido fundado em 1957 pelo casal Pelegrino José Donato e Luiza Trajano Donato, tia de Luiza Helena, como uma pequena loja de presentes. O nome Magazine Luiza veio depois, escolhido por meio de um concurso cultural de rádio.
Luiza Helena se formou em Direito pela Faculdade de Direito de Franca em 1972, mas construiu a carreira dentro do próprio negócio, passando por setores como cobrança e vendas antes de chegar à direção. Ela assumiu o comando da empresa em 1991.
De loja regional a referência nacional
Sob sua gestão, o Magazine Luiza deixou de ser um negócio regional e passou a disputar espaço com nomes como Casas Bahia e Ponto Frio. Em 2015, ela deixou o cargo de CEO e passou a atuar como presidente do Conselho de Administração, enquanto o filho Frederico Trajano assumia a presidência executiva.
O reconhecimento veio também de fora do país. Em 2021, a revista Time a incluiu na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo. Em 2023, a Forbes estimou seu patrimônio em R$ 3,5 bilhões.
Voz pública além dos negócios
Durante entrevista no programa Manhattan Connection, ao ouvir do apresentador Diogo Mainardi que o varejo brasileiro estava em crise, ela rebateu afirmando que o Brasil vivia a “década do varejo”. Ao ser chamada de empresária socialista pelo então presidente Jair Bolsonaro, respondeu que era socialista e feminista desde criança.
Em 2012, fundou o Grupo Mulheres do Brasil, com foco em educação, empreendedorismo e projetos sociais. A iniciativa reúne hoje mais de quatro mil participantes. Ela também integrou o CPO, responsável pelos preparativos dos Jogos Olímpicos do Rio, e participou do revezamento da tocha olímpica, quando sofreu uma queda durante o trajeto.
Décadas depois, o negócio fundado pela família continua sob influência da mesma família.










