Ketlly Cristina da Silva é uma profissional que atua com dedicação em sua área de trabalho. Aos 25 anos, no ano de 2021, ela conquistou o diploma do curso de direito em Várzea Grande, no Mato Grosso, enquanto trabalhava como gari pelo dia.
A rotina exigia que ela saísse do trabalho braçal e percorresse cerca de 5,5 km de bicicleta até a faculdade para assistir aulas à noite, retornando para casa entre meia-noite e uma hora da manhã. No total, o trajeto ida e volta atingia aproximadamente 11 km. A mudança para o cargo de gari aconteceu quando Kettly já cursava o segundo ano.
Antes disso, ela trabalhou também como vigia, sem garantia de permanência no emprego, o que a motivou a buscar estabilidade através de um concurso público. Com auxílio do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), ela conseguiu completar o curso apesar dos desafios que a rotina impunha.
Sacrifício familiar na formação em Direito
A persistência de Kettly tinha raízes profundas na história de sua família. Seu pai faleceu quando ela tinha três anos de idade dentro de uma penitenciária. Isso termina deixando sua mãe criar três filhos sozinha fazendo trabalhos domésticos por diárias de R$ 5 ou R$ 10.
A falta de conhecimento sobre direitos deixou a família desamparada. Conforme relatou Ketlly, o Estado era responsável pela vida do pai, que morreu na penitenciária, mas a família não recebeu o respaldo que poderia ter obtido. Essa experiência transformou o sonho de estudar direito em missão pessoal.
“O meu objetivo era esse: estender as mãos para quem não tem acesso à Justiça”, declarou Kettly na época. Como filha do meio de três irmãos, ela se tornou a primeira da família a se formar em uma universidade. E agora orienta pessoas próximas sobre como garantir seus direitos — desde benefícios que foram cortados até questões de aposentadoria.
Da sala de aula ao exercício da profissão
O caso de Ketlly ganhou repercussão entre os noticiários por se tratar de um exemplo de persistência em relação aos estudos, mesmo diante de dificuldades. Ao terminar o curso de direito, ela planejou seu futuro, revelando também o sonho de ingressar em órgãos públicos como o Ministério Público, a Defensoria ou a Procuradoria — carreiras que permitiriam alcançar aquele propósito inicial de ajudar quem não tem acesso à Justiça.
Após se formar, ela chegou a receber convites de escritórios de advocacia, mesmo antes de concluir os exames da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Na época, a egressa do curso de direito foi nomeada em Várzea Grande para a procuradoria da cidade, conciliando a vida familiar (como mãe de uma menina) com a profissão.










