Uma investigação feita por pesquisadores do Instituto de Investigação Marinha da Noruega no ano de 2023 apontou que o excremento das baleias funciona como fertilizante natural dos oceanos e que esse mecanismo dá aos cetáceos um papel modesto na absorção de dióxido de carbono pelo oceano.
Os cientistas analisaram a composição das fezes de baleias-comuns capturadas por pescadores locais e apresentaram a conclusão após um longo estudo. “Pode parecer repugnante, mas, para o ecossistema, (o esterco da baleia) vale seu peso em ouro. A ideia é, simplesmente, que esses excrementos fertilizam os oceanos, como vacas, ou ovelhas, fazem na terra”, afirmou o instituto na ocasião.
O ciclo de nutrientes que as baleias criam
Durante o verão, aproximadamente 15 mil baleias-comuns migram para Svalbard, arquipélago localizado no Oceano Ártico, e liberam diariamente cerca de 600 toneladas de esterco marinho, equivalente a 40 quilos por animal. Esse excremento contém nutrientes cruciais: aproximadamente 10 toneladas de fósforo e 7 toneladas de nitrogênio por dia.
Esses dois elementos fertilizam o fitoplâncton, algas microscópicas que absorvem dióxido de carbono através da fotossíntese e o convertem em oxigênio. O estudo mostrou que os excrementos delas contribuem entre 0,2% e 4% da produção primária diária de fitoplâncton na região.
Uma contribuição maior do que parece
O diretor da pesquisa, Kjell Gundersen, destacou que essas estimativas subestimam o verdadeiro impacto. A urina das baleias-comuns, que não foi incluída nos cálculos, é extremamente rica em nitrogênio — cada animal libera várias centenas de litros diariamente.
Com menos baleias liberando urina e esterco, existe o risco de menor fertilização da superfície oceânica. Isso resultaria em menor absorção de dióxido de carbono pelos oceanos.
A contribuição, ainda que modesta, mostra a importância dos cetáceos no funcionamento do ecossistema marinho.
Pressões externas sobre a população de baleias
A caça de baleias na Noruega vem perdendo força, e o número de animais efetivamente capturados está bem abaixo das cotas estabelecidas. Outras ameaças, porém, afetam a população global desses cetáceos, especialmente a competição por alimento.
A Noruega é responsável por mais de 60% de toda a pesca de krill na Antártica, alimento básico das baleias que migram para o Brasil.
Desde 2020, a pesca industrial de krill cresceu quase 140%, impulsionada pela demanda global por ração de aquicultura e suplementos de ômega-3. A atividade compete com as baleias por esse alimento.










