A escala 6×1 começa a perder espaço em parte do varejo brasileiro. Algumas empresas dos setores de supermercados e farmácias passaram a adotar, por iniciativa própria, a jornada 5×2, que garante duas folgas semanais aos funcionários. As mudanças ainda ocorrem de forma gradual e em projetos-piloto, mas já refletem a busca por melhores condições de trabalho e pela retenção de profissionais. As informações foram reunidas em levantamento do Portal Tempo Novo.
Embora o modelo tradicional continue permitido pela legislação trabalhista, empresas têm testado alternativas para reduzir o desgaste das equipes e aumentar o interesse por vagas de emprego.
Empresas adotam escala 5×2
No Espírito Santo, a rede Extrabom iniciou testes da nova jornada em três unidades. A empresa avalia os resultados antes de decidir se expandirá o modelo para as demais lojas.
Em Minas Gerais, o Grupo Supernosso também colocou a escala 5×2 em fase experimental em três supermercados de Belo Horizonte. Cerca de 500 funcionários participam do projeto, que, segundo a companhia, já apresenta sinais de redução do desgaste físico e maior procura por oportunidades de trabalho.
A RD Saúde, responsável pelas redes Raia e Drogasil, está em um estágio mais avançado. A empresa já ampliou a jornada de duas folgas semanais para diferentes áreas da operação, após reorganizar escalas e equipes para manter o funcionamento das unidades.
O que muda
A adoção da escala 5×2 não significa, obrigatoriamente, redução da carga horária semanal. Em muitos casos, as horas de trabalho são redistribuídas entre os cinco dias de expediente.
As folgas também não precisam ocorrer aos sábados e domingos. As empresas podem organizar escalas de revezamento para manter o atendimento durante toda a semana.
Outra iniciativa foi adotada pelo Supermercados BH no Espírito Santo. Desde março, as lojas da rede no estado deixaram de abrir aos domingos após um acordo coletivo, garantindo esse dia de descanso aos funcionários.
Apesar dessas mudanças, a escala 6×1 continua prevista na legislação brasileira. Uma alteração obrigatória para todas as empresas depende da aprovação de propostas que ainda tramitam no Congresso Nacional.










