Em meio a execução do plano de recuperação judicial (RJ), a Americanas declara ter retomado uma situação considerada “normal”. “Mesmo sob o selo de companhia sob supervisão, seguimos uma rotina regular, cumprindo todas as obrigações previstas no plano”, afirmou Camille Loyo Faria, diretora financeira e de relações com investidores.
Na manhã da última quarta-feira (13), a companhia realizou sua teleconferência de resultados. O processo possibilitou o refinanciamento e a reestruturação de boa parte de seu endividamento. Ao fim de junho, a Americanas registrava dívida bruta de R$ 1,9 bilhão, sendo R$ 1,8 bilhão em debêntures e R$ 54 milhões em empréstimos e financiamentos, tanto de curto quanto de longo prazo.
Em 11 de janeiro de 2023, o recém-empossado CEO Sérgio Rial comunicou ao mercado a descoberta de inconsistências contábeis superiores a R$ 20 bilhões, resultantes da forma de contabilização das antecipações de pagamento a fornecedores — prática conhecida como “risco sacado” — que acabava por mascarar o valor real da dívida da empresa.
As ações da Americanas despencaram, registrando queda superior a 70% — em alguns levantamentos, próxima de 90% —, o que resultou em perdas expressivas para os acionistas minoritários.
Relembre a crise envolvendo a Americanas
Abertura do processo
- Em 11 de janeiro de 2023, a Americanas revelou inconsistências contábeis que somavam cerca de R$ 25 bilhões, resultando em enorme choque e perda de confiança no mercado.
- No dia seguinte (12 de janeiro), a Justiça suspendeu execuções contra a empresa e autorizou o deferimento do pedido de recuperação judicial.
- A empresa entregou a lista de credores, com dívidas que chegavam a cerca de R$ 43 bilhões distribuídas entre cerca de 16 mil credores.
Investigação e gestão interna
- Foram instauradas várias investigações: pela CVM, Polícia Federal, MPF e um comitê independente, além da abertura de uma CPI.
- A operação policial em junho de 2024 incluiu mandados de busca, prisão e bloqueio de bens dos ex-executivos, considerada a maior fraude do mercado financeiro brasileiro (impacto estimado de R$ 25,3 bilhões).
- Em 2025, o Ministério Público ofereceu denúncia contra 13 ex-executivos por crimes como organização criminosa e falsidade documental.
Aprovação do plano
- Em 19 de dezembro de 2023, em Assembleia Geral de Credores, o plano foi aprovado por uma maioria expressiva — representando 97,19% dos créditos e 91,14% dos votos por cabeça.
- O plano previa R$ 24 bilhões de capitalização: R$ 12 bilhões dos acionistas de referência (Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira), mais R$ 12 bilhões de conversão de dívida em ações pelos bancos credores.
- A homologação ocorreu em 26 de fevereiro de 2024, autorizando a execução do plano e a definição dos prazos de pagamento aos credores.






