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Animação produzida em Caruaru estreia em Xangai com narrativa que enaltece a cultura negra

‘Amadeo e o Hipotético Mundo Novo’, longa animado produzido em Caruaru, terá sua estreia na 28ª edição do Festival Internacional de Cinema de Xangai, na China

Por André Guerra

Filme tem codireção da pernambucana Brenda Lígia, com direção artística de Everton Amorim

Expandindo as fronteiras da criatividade e da geografia, o longa de animação “Amadeo e o Hipotético Mundo Novo” é mais uma representação do cinema pernambucano mundo afora. Dirigido pela recifense Brenda Lígia e por Edu Felistoque, o filme terá sua estreia mundial na 28ª edição do Festival Internacional de Cinema de Xangai, que começa nesta sexta-feira (12), na China, e a primeira exibição pública está marcada para a próxima segunda-feira (15).

A produção, feita pela SAGUI Studio e Refúgio Onírico, de Caruaru, é uma releitura fantástica do Brasil do século 19 e acompanha Amadeo, um jovem da Guiné-Bissau, na África, que inventa a fotografia antes dos europeus. O protagonista utiliza sua criação para ajudar pessoas escravizadas a conquistar a sua liberdade, em uma fabulação da história que convida o espectador a repensar símbolos e ressignificar conceitos.

“É um orgulho enorme compor um trabalho que foi integralmente realizado em um estúdio de Caruaru. Temos pessoas de vários lugares do Brasil, e profissionais extraordinários de diferentes estados, mas o DNA de ‘Amadeo’ é muito pernambucano, da concepção à execução”, enfatiza Brenda Lígia em entrevista ao Diario, que também integra o elenco de vozes, no papel de uma integrante da trupe de artistas itinerantes que acolhe Amadeo ao chegar ao Brasil. “Quando perguntarem, lá em Xangai, de onde o filme é, vamos enaltecer que ele é brasileiro, mas, acima de tudo, de Pernambuco”, completa.

Responsável pela direção de arte e de animação da obra, Everton Amorim destaca a importância da descentralização da produção desse formato. “Os filmes animados em longa-metragem são recentes no nosso estado. E é incrível poder representar o Brasil e Pernambuco em um lugar tão distante da nossa cultura”, ressalta o animador, . “Estamos lutando para trazer cada vez mais a animação para o Agreste e fazer crescer esse espaço”, conclui ele.

O roteiro começou a ser desenvolvido por Edu Felistoque há mais de 20 anos. Originalmente concebido como peça de teatro, a ideia migrou para um planejamento de longa-metragem live-action, mas, com o tempo, a equipe criativa percebeu que o formato de animação comportaria melhor essa jornada épica do personagem-título. De acordo com a produtora Maddu Cavalcante, o filme deve rodar por festivais no mundo e no Brasil até sua estreia comercial, planejada para o período da Consciência Negra.