Shell Osmo abre exposição em museus no Recife sobre vivências ribeirinhas
Mamam e Cais do Sertão recebem obras de Shell Osmo sobre vida ribeirinha na Bacia do Pina
As margens dos rios do Recife, suas memórias e personagens atravessam a exposição “Garateia: onde ancora a memória”, que já está em cartaz para visitação gratuita no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam) e no Museu Cais do Sertão, no centro da capital pernambucana.
A mostra, idealizada pelo artista visual Shell Osmo, reúne pinturas, objetos, instalações e obras inéditas inspiradas nas vivências ribeirinhas da Bacia do Pina, transformando experiências ligadas à pesca artesanal, ao território e à memória em uma narrativa visual e política.
No Mamam, a exposição segue até 19 de julho. Já no Cais do Sertão, será exibida na sala Moxotó, no 3º andar, até 7 de junho.
Partindo da relação do artista com uma ilhota localizada na área interna da Bacia do Pina, próxima ao bairro de Afogados, a exposição transforma o cotidiano das comunidades ribeirinhas em um arquivo afetivo, político e visual. O título faz referência à garateia, instrumento de pesca composto por três anzóis usados para ancorar embarcações e fisgar peixes, elemento que atravessa toda a construção simbólica da mostra.
Com curadoria de Rebecca França, “Garateia” articula temas como pertencimento, saudade, território, permanência e transformação urbana, tomando os rios do Recife como espaços de memória, sobrevivência e produção de saberes. A mostra também dialoga com questões ligadas à especulação imobiliária, remoções urbanas e à vida das populações que vivem às margens das águas.
“É sobre os lugares que permanecem dentro da gente, mesmo quando desaparecem fisicamente. O território não é só onde se vive, é onde se constrói quem somos”, afirma Shell Osmo.
Criado na comunidade do Bode, no Pina, o artista desenvolve há mais de uma década projetos ligados à arte, memória e transformação social. Em “Garateia”, ele reúne pinturas em acrílica, esculturas, murais, instalações e assemblages produzidas com materiais como madeira, resina, algodão com gesso e técnicas ligadas ao grafitti e ao muralismo.
Entre as obras apresentadas estão “O Portuário”, “Identidade Farol”, “Chico ainda menino”, “Vado” e “Mareando”. Segundo o artista, muitos trabalhos surgem de lembranças pessoais e de figuras encontradas ao longo da vida nas margens do rio.
“Aqui, o rio não é apenas paisagem. Ele é sujeito, memória, sustento e também mistério. É um lugar de histórias, de trabalho, de alimentação física e espiritual”, comenta.
A exposição é resultado de cerca de seis anos de pesquisa e criação, conectando experiências da infância de Shell Osmo às observações sobre a relação entre cidade, rios e comunidades urbanas-ribeirinhas. A proposta também incorpora elementos sonoros e instalações que investigam o “lugar” como espaço de pertencimento e construção de identidade.