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'Cangaço Novo' estreia segunda temporada trazendo o vilão de Bruno Belarmino ainda pior

Após dois anos e meio de espera, ator Bruno Belarmino revela que segunda temporada de "Cangaço Novo" está mais madura e faz justiça ao sucesso da primeira. Série já disponível na Prime VideoApós dois anos e meio de espera, ator Bruno Belarmino revela que segunda temporada de Cangaço Novo" está mais madura e faz justiça ao sucesso da primeira. Série está disponível no Prime Video

Por Allan Lopes

Embate entre Gastão, Ubaldo e Dinorah sintetiza o clima de guerra que atravessa a nova temporada de "Cangaço Novo"

“Vamos mostrar que a nossa força é maior que a violência deles. Pela nossa terra, pela nossa família e pelo nosso futuro!", esbravejou o político Gastão Maleiro, interpretado por Bruno Belarmino, aos eleitores na fictícia Cratará, nos instantes finais da primeira temporada de “Cangaço Novo”, lançada em 2023.

O discurso, aliado ao incêndio na capela, marcou o início definitivo da guerra entre a Irmandade – liderada por Ubaldo (Allan Souza Lima) e Dinorah (Alice Carvalho) – e a elite que domina a cidade há 40 anos. A escalada desse conflito passa a ditar o rumo da narrativa na segunda temporada, já disponível no Prime Video.

Já consagrada entre as principais produções do país na década, a série mantém a intensidade e o ritmo frenético fiel ao estilo “nordestern”, o faroeste no Nordeste, acompanhando Ubaldo em sua busca por vingança pela morte de Ernesto, seu pai adotivo.

Do outro lado, Gastão volta muito mais ambicioso do que se mostrou na temporada anterior e se consolida como antagonista. “Gastão não se reconhece como alguém mau. Ele se entende como o herói da cidade e constrói a própria narrativa”, comenta o ator pernambucano Bruno Belarmino, em entrevista ao Diario.

Carismático e bem-humorado fora das telas, Bruno contrasta com o comportamento autoritário que o personagem assume longe do palanque, sobretudo quando precisa encenar decisões moralmente questionáveis. “É importante mostrar como essas figuras agem quando ninguém está olhando”, destaca.

Nesse cenário, é natural que a torcida do público se incline para Ubaldo e seus aliados. Embora também ignorem a etiqueta, eles agem com plena consciência em prol da sobrevivência da comunidade, ao passo que Gastão Maleiro preserva seus privilégios sob a fachada de bom moço.

Interpretar um arquétipo tão comum no Brasil, sem cair na caricatura, é um verdadeiro desafio. Bruno enfrentou esse risco ao deixar de lado a autocensura e 'esticar a corda' na atuação. Sua estratégia foi criar uma simpatia inicial tão envolvente que tornasse a inevitável repulsa do público ainda mais impactante. "Eu queria provocar exatamente isso: fazer o público se envolver e, depois, se incomodar com a presença dele. Quando essa virada acontece, sinto que deu certo. É uma construção potente”, afirma.

Em uma das primeiras cenas da nova temporada, a Irmandade reencontra a família Maleiro para esclarecer a morte do pai de Ubaldo. Esse é um dos raros momentos em que os dois núcleos de “Cangaço Novo” se enfrentam diretamente, servindo como prelúdio para a tensão que permeia os sete episódios.

Apesar da carga dramática, o clima no set de filmagens não se deixava contagiar pela hostilidade da ficção. “Foi uma sequência intensa, difícil, onde todo mundo estava muito entregue. Mas, assim que vinha o corte, a gente se abraçava, naquela alegria de estarmos juntos de novo e de construir algo forte”, diz Bruno.

Natural de Olinda, ele deu seus primeiros passos na arte aos 15 anos, no Centro Luiz Freire. A experiência no filme “Paraísos Artificiais” foi o divisor de águas que o levou a São Paulo em busca de novas oportunidades. Com um currículo que inclui títulos como “Morto Não Fala” e “3%”, Bruno confessa que “Cangaço Novo” ocupa um lugar especial em sua trajetória, por dialogar diretamente com suas raízes nordestinas, desta vez com filmagens em Cabaceiras, na Paraíba. “Pela minha relação com a região foi uma realização enorme. Saí com a sensação de dever cumprido”, celebra.

Depois do sucesso na estreia, o ator pernambucano acredita que a reviravolta nos novos episódios superará as expectativas dos fãs. "O público pode esperar uma série muito madura, que faz justiça à primeira temporada. Foram dois anos e meio de espera, mas valeu cada minuto. Está insano. Eu assisti aos primeiros episódios e fiquei surpreso com o resultado", revela Bruno Belarmino.