TXT vence "maldição dos 7 anos" do K-pop e volta seguro de si em novo mini-álbum
Com produção enxuta, mas emocionalmente densa, o grupo coreano TXT lança primeiro trabalho da nova era depois de renovar o contrato
O fenômeno conhecido no K-pop como a “maldição dos 7 anos” ocorre quando um grupo encerra as atividades ao término do contrato padrão de sete anos. As exceções são poucas e, via de regra, restritas a nomes de grande trajetória e estabilidade.
O TOMORROW X TOGETHER (TXT) é mais um que se mostrou maior do que a maldição. Além de renovar o contrato com a BIGHIT MUSIC (subsidiária da HYBE), o grupo lançou o mini-álbum "7TH YEAR: A Moment of Stillness in the Thorns", já disponível nas plataformas digitais.
O ciclo narrativo que acompanhava Yeonjun, Soobin, Beomgyu, Taehyun e Hueningkai chegou ao fim com "The Star Chapter: TOGETHER", último lançamento antes da renovação contratual. Agora, este comeback inaugura uma nova era.
Os MOAs, como são chamados os fãs do quinteto, podem ainda não saber o que vem por aí, mas a certeza é que o grupo sabia exatamente por onde começar. Eles voltaram a 2019, quando enfrentaram a pressão do debut — o primeiro grupo masculino da BIGHIT após o BTS — superaram as turbulências ao longo do caminho e, enfim, pararam para respirar com a renovação do contrato.
Um respiro curto demais, aliás. É verdade que a indústria normalizou lançamentos ridiculamente enxutos, mas seis faixas distribuídas em 16 minutos são, no mínimo, um desperdício de potencial neste contexto simbólico e emotivo.
Ainda bem, então, que o TXT conseguiu fazer muito em tão pouco. Na faixa-título "Bed of Thorns" – produzida por Slow Rabbit, fiel colaborador do grupo – Kai, Yeonjun e Soobin mostram vocais poderosos sobre as cicatrizes herdadas das lutas passadas em um clima synth-pop eletrônico.
Na sequência, "Stick with You" convida a extravasar o medo de perder a pessoa amada com muita dança. De fato, transformar sofrência em coreografia é uma habilidade que o quinteto domina como poucos na indústria.
Embora a melodia seja repetitiva em alguns momentos, a faixa sustenta seu apelo muito graças à entrega vocal que injeta a dose certa de urgência e emoção para manter o público fisgado. No videoclipe, que se estende por mais dois minutos, a experiência ganha mais camadas. A atriz Jeon Jong-seo ("A Ligação" e "La Casa de Papel: Coreia") surge como uma figura constantemente desejada pelos membros do TXT, presos em um looping que reforça a atmosfera onírica da música.
O álbum mantém sua coesão sonora em “Take Me to Nirvana”, que aposta em uma sonoridade limpa e orgânica para fazer o público dançar. A faixa conta com a participação da rapper e cantora chinesa Vinida Weng no refrão. Ela acrescenta sua delicada voz nos levando diretamente ao Nirvana, onde não há nada com que se preocupar.
Já “So What”, facilmente um dos destaques do álbum, surpreende trazendo um pop-rap sintético com a assinatura de Yeonjun e Taehyun. O envolvimento da dupla na escrita reforça o tom confessional da obra, repleta de deboche aos haters, enquanto a performance de Beomgyu e Yeonjun serve como o motor rítmico que sustenta toda a energia da faixa.
Na reta final, “21st Century Romance” foge do clichê das baladas açucaradas de dramas coreanos. Em vez de uma melodia arrastada, o que encontramos é mais uma vez a estética onírica na qual o TXT mostra um romantismo próprio e contagiante. O fechamento fica por conta de “Dream of Mine”, que flerta com o pop-rock característico do grupo, narrando a jornada dos membros até o sonho do estrelato. Desta vez, no entanto, a fórmula não atinge o mesmo nível em relação aos momentos mais inspirados do álbum.
Em suma, é um comeback bastante maduro que honra o legado de sete anos do grupo, ainda que o talento do quinteto merecesse um espaço maior. Os MOAs têm toda razão em nutrir grandes expectativas para o futuro, afinal, o grupo prova que ainda há muito fôlego para construir novas memórias e desbravar novos horizontes ao lado de seus fãs.