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Recife Frevo Festival promove diferentes variantes do ritmo recifense além do período carnavalesco

Recife Frevo Festival retorna para segunda edição com shows gratuitos e encontro de gerações no Teatro do Parque, na próxima quinta-feira (12)

Por Allan Lopes

Alunos da Companhia de Dança da Escola Municipal de Frevo Maestro Fernando Borges apresentam performances de frevo de rua

Na próxima quinta-feira (12), o Recife irá soprar 489 velinhas. E a trilha sonora de mais uma festa só poderia ser um bom frevo — ou muitos deles. No mesmo dia, acontece a segunda edição do Recife Frevo Festival, no Teatro do Parque, a partir das 19h, reunindo grandes nomes do gênero, dos mais tradicionais aos contemporâneos.

Os ingressos são gratuitos e começam a ser distribuídos na bilheteria às 18h. Porém, quando os portões abrirem às 17h, uma seleção musical especial já estará recebendo o público na entrada. No sábado (14), a programação segue com atividades formativas no Paço do Frevo.

Ano passado, o evento aconteceu em 9 de fevereiro, data em que é celebrado o Dia do Frevo. A ideia era mantê-la este ano, mas, com a falta de edital e a confirmação tardia dos patrocinadores, foi necessário adiar para não esbarrar no carnaval.

Seja quando for, o Recife Frevo Festival chega para mostrar que todo dia é bom motivo para festejar ao som do nosso ritmo. “Vamos calendarizar esse festival. Estou fazendo a segunda edição, então a terceira virá e a quarta também. Sempre com a pegada de promover o frevo a partir da sua linguagem”, diz a realizadora e jornalista Michelle de Assumpção ao Diario. O evento tem patrocínio do Banco do Nordeste (BNB) e parceria com a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife.

Figura central na cena musical pernambucana, o maestro Edson Rodrigues é o grande homenageado em 2026. Compositor, arranjador e regente, ele ajudou a moldar o som do carnaval e da música instrumental da cidade, com um trabalho que segue vivo e influente. “Edson consegue trazer a tradição com uma linguagem sempre atual. A música dele nunca envelhece”, define Michelle. A programação do festival reflete esse diálogo entre passado e futuro, mesclando a execução tradicional do frevo, por meio das orquestras, com projetos experimentais.

Um dos destaques é a participação da Orquestra de Bolso (ODB), liderada pelo cantor e saxofonista Ricardo Pessoa, que convida artistas essenciais para a cena atual. O primeiro deles é Jota Michiles — Patrimônio Vivo de Pernambuco, autor de clássicos que estão na ponta da língua de todo folião, como “Bom Demais” e “Me Segura Senão Eu Caio”, gravadas por Alceu Valença.

A ODB também acompanha o frevo rural de Nailson Vieira, de Nazaré da Mata, Lais Senna e Isadora Melo, que apresenta o projeto experimental "Um Frevo por Dia". Já o Duo Frevo, com César Michiles e Romero Medeiros, revela o gênero em linguagem camerística com flauta e piano.

O corpo também freva nesta edição. Alunos da Companhia de Dança da Escola Municipal de Frevo Maestro Fernando Borges apresentam performances de frevo de rua, enquanto a passista e pesquisadora Inaê Silva traz suas intervenções artísticas. “O frevo no corpo também evoluiu. Quem estuda e faz frevo sabe que ele é uma resposta das próprias transformações da sociedade”, afirma a idealizadora. No encerramento, o público será convidado a interagir com o projeto multimídia Enigma do Frevo, de DJ Dolores.

Para o futuro, o festival quer prospectar mais talentos do interior de Pernambuco e até de outros estados. “Nomes como o de Nailson são resultado direto dessa mobilização que o próprio festival provoca”, observa Michelle. Também está nos planos a criação de uma etapa de concurso, resgatando a tradição dos antigos festivais que revelaram nomes como os próprios Jota Michiles e Edson Rodrigues. “A cena do frevo no Recife foi muito fomentada pelos concursos, que estimulavam as pessoas a compor coisas novas e mostrar o trabalho”, explica a jornalista.