Enem 2026: veja o que pode e o que não pode levar para a prova; Pernambuco tem 281 mil inscritos
Candidatos devem ficar atentos às regras para evitar eliminação. Primeiro dia de provas será neste domingo (8), com questões de Linguagens, Ciências Humanas e Redação
Mais de 281 mil estudantes estão inscritos para fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 em Pernambuco. As provas começam neste domingo (8) e seguem no dia 15 de novembro, em todo o país. Para evitar imprevistos e até a eliminação do exame, os participantes precisam ficar atentos aos objetos permitidos e proibidos nos locais de aplicação, além de organizar o tempo para responder às questões e produzir a redação.
De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Pernambuco contabiliza 281.276 inscrições confirmadas. Desse total, aproximadamente 211,8 mil são gratuitas e 69,4 mil são pagantes. Em todo o Brasil, são 5.051.345 inscritos.
Entre os participantes pernambucanos, 91.824 são estudantes concluintes da rede pública de ensino. Para a aplicação das provas, a Secretaria de Educação de Pernambuco (SEE) autorizou a utilização de 533 escolas estaduais.
O que levar para o Enem?
Dois itens são obrigatórios para entrar na sala de prova: documento oficial de identificação com foto e caneta esferográfica de tinta preta, fabricada em material transparente.
O documento pode ser apresentado na versão física ou digital, desde que esteja disponível no aplicativo oficial correspondente ou no Gov.br.
São aceitos, entre outros, Carteira de Identidade Nacional (CIN), RG, Carteira Nacional de Habilitação (CNH), passaporte e carteira de trabalho impressa, desde que atendam às regras do edital.
No caso dos documentos digitais, não serão aceitos prints, fotografias ou arquivos apresentados fora dos aplicativos oficiais. O candidato também deve conferir antecipadamente se consegue acessar o documento pelo celular.
O Cartão de Confirmação de Inscrição não é obrigatório, mas é recomendado. Nele, o participante encontra informações como endereço do local de prova, número de inscrição e orientações específicas. A apresentação do cartão, entretanto, não substitui o documento oficial com foto.
Também é permitido levar água, alimentos e medicamentos necessários. Esses itens poderão passar por vistoria do chefe de sala. A recomendação é optar por lanches práticos e recipientes de água sem componentes eletrônicos.
Celular, relógio e outros objetos podem causar eliminação
O participante pode chegar ao local de prova com celular e outros aparelhos eletrônicos, mas não poderá permanecer com eles durante a aplicação. Antes de entrar na sala, os equipamentos devem estar completamente desligados, com alarmes e funções automáticas desativados, e guardados no envelope porta-objetos fornecido pela equipe de aplicação.
O envelope precisa permanecer lacrado, identificado e debaixo da cardeira até a saída definitiva do local de prova. O candidato não poderá abri-lo antes desse momento.
Atenção: mesmo dentro do envelope, se o celular emitir qualquer som, como toque ou alarme, o participante poderá ser eliminado. Também devem ficar guardados no envelope relógios de qualquer tipo, inclusive os convencionais, fones de ouvido, calculadoras, pen drives, gravadores e outros dispositivos eletrônicos.
Óculos escuros, bonés, chapéus, viseiras e gorros também devem ser guardados no envelope.
Lápis, lapiseira, borracha, régua, corretivo e canetas com corpo não transparente não podem ser utilizados. Para evitar problemas, a orientação é levar pelo menos duas canetas pretas com corpo transparente.
Livros, apostilas, manuais, bulas, impressos e anotações também devem ser guardados. Bebidas alcoólicas, drogas ilícitas, cigarros, inclusive os eletrônicos, e outros derivados do tabaco são proibidos no local de prova. O porte de armas também segue as restrições previstas no edital, com procedimentos específicos para as exceções legais.
Temas sociais e preparação para a redação
Na avaliação do professor de redação Alex Inácio, do Colégio Dom, os candidatos devem estar atentos a questões sociais que atingem grupos em situação de vulnerabilidade. Entre os assuntos que podem ajudar a ampliar o repertório estão as questões relacionadas a idosos, mulheres, pessoas com deficiência e povos tradicionais.
O professor cita ainda a possibilidade de temas envolvendo a população homoafetiva, que, segundo ele, enfrenta situações de invisibilidade em relação a direitos. No entanto, alerta que tentar adivinhar o assunto da redação não deve ser o foco da preparação.
“Não é produtivo o estudante querer adivinhar o tema. O importante não é ele saber o tema que vai cair, mas saber escrever qualquer tema que vai cair no Enem”, explicou.
Para construir uma argumentação consistente, Alex recomenda que os candidatos tenham repertórios relacionados a problemáticas sociais. Uma das referências que podem ser utilizadas é a produção da filósofa e escritora Djamila Ribeiro, especialmente as reflexões sobre a invisibilidade de determinados problemas e a necessidade de trazê-los ao debate para que possam ser enfrentados.
Na hora de organizar o texto, o professor orienta que o estudante identifique e circule as palavras-chave do tema, garantindo que elas apareçam de forma explícita na redação.
Em seguida, deve definir as teses que pretende defender, selecionar argumentos e pensar na proposta de intervenção ainda durante o planejamento.
Segundo Alex, deixar para pensar na solução apenas no momento de escrever a conclusão pode prejudicar a qualidade da proposta e a pontuação na competência 3, que avalia a organização da argumentação.
Erros que podem comprometer a nota
Entre os principais riscos estão a fuga ou tangenciamento do tema. Enquanto a fuga leva à nota zero na redação, o tangenciamento pode provocar uma perda significativa de pontos. Para evitar esses problemas, o professor reforça a importância de abordar diretamente as palavras-chave apresentadas na proposta.
Outro cuidado é garantir que o repertório utilizado seja produtivo, ou seja, esteja relacionado ao tema e à tese defendida no parágrafo. Não basta citar um autor, uma obra ou um dado: é necessário explicar a relação entre a referência e o argumento apresentado.
Na conclusão, a atenção deve estar voltada aos cinco elementos exigidos na proposta de intervenção. O professor alerta que esquecer um deles pode reduzir a pontuação na competência 5, que vale até 200 pontos.
Alex também recomenda que os candidatos não abandonem automaticamente modelos de redação que já tenham treinado. Para ele, o problema não está em utilizar uma estrutura previamente praticada, mas em recorrer a um modelo que não se encaixe no tema ou que impeça o desenvolvimento das ideias.
“Não é um problema o aluno ir com o modelo dele pronto para o Enem. O problema é quando esse modelo não é funcional, quando, dentro do projeto de texto, as ideias não dialogam com o tema”, afirmou.
Como administrar o tempo de prova
No primeiro dia, os candidatos terão cinco horas e meia para fazer a redação e responder às questões objetivas. O professor de Redação, Alex Inácio, recomenda começar pela produção textual, por ser uma etapa que exige planejamento e não pode ser resolvida por meio de um chute, como eventualmente ocorre nas questões de múltipla escolha.
A sugestão é reservar cerca de uma hora e meia para a redação, dividindo o período entre planejamento, escrita e revisão. O professor ressalta que o candidato deve evitar tentar corrigir a gramática e escolher palavras durante a primeira versão do texto, para não interromper o desenvolvimento das ideias.
“É o momento apenas de colocar no papel a ideia bruta do que você quer falar. Se mistura o momento das ideias com o momento da estética, uma dessas duas partes vai sofrer, geralmente a ideia”, explicou.
Depois da redação, a orientação é começar pela prova objetiva que tenha maior peso para o candidato. Nas questões, o estudante deve priorizar aquelas que considera mais fáceis e deixar as mais difíceis para uma segunda tentativa, evitando ficar muito tempo preso a um único enunciado.
O professor também recomenda reservar aproximadamente 20 minutos para preencher o cartão-resposta. A conferência final da redação e do gabarito não deve ser deixada de lado. Caso encontre algum erro no texto definitivo, o candidato pode fazer a correção de forma clara, permitindo que a banca compreenda a alteração.
Estudante quer cursar Medicina Veterinária
Aos 17 anos, Victor Miranda, aluno do terceiro ano do ensino médio do Colégio DOM, chega ao Enem após um ano de dedicação aos estudos. Durante a preparação, ele procurou revisar os conteúdos mais importantes, reforçar os assuntos em que tinha dificuldade e desenvolver habilidades de interpretação e escrita.
“Foi um ano de desafios, mas também de muito amadurecimento”, afirmou o estudante, que reconhece não ter conseguido cumprir todo o planejamento inicial devido à extensão dos conteúdos cobrados no exame.
Entre as áreas que considera mais difíceis está Matemática e suas Tecnologias, principalmente pela necessidade de interpretar os problemas e encontrar soluções com agilidade.
Para a redação, Victor demonstra confiança. Ao longo do ano, praticou a escrita, estudou possíveis temas e buscou ampliar o repertório sociocultural para fortalecer a argumentação e a elaboração de propostas de intervenção.
“Tenho uma expectativa muito boa na redação. Ao longo do ano, procurei praticar bastante, estudar possíveis temas e ampliar meu repertório sociocultural”, contou.
O estudante também participou de exercícios e atividades de preparação no colégio e em cursos. Segundo ele, essas experiências ajudaram a desenvolver a confiança e o controle do tempo para o dia da prova.
Apesar da preparação, Victor admite que o nervosismo faz parte da expectativa para o exame. “É impossível dizer que não existe nervosismo, afinal é um momento muito importante e representa o resultado de um ano inteiro de preparação. Mas estou tentando manter a tranquilidade e confiar no que aprendi”, disse.
A expectativa é conseguir uma nota que permita ingressar no curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Para ele, o Enem representa uma das principais oportunidades de acesso ao ensino superior e de aproximação dos objetivos profissionais.
“Minha maior expectativa é conseguir uma boa nota que me permita alcançar meus objetivos acadêmicos e ingressar na universidade que desejo. Quero olhar para trás e sentir que todo aquele esforço valeu a pena”, afirmou.
O receio de se atrapalhar durante a prova e não conseguir demonstrar o que aprendeu está entre as preocupações do estudante. Ainda assim, ele pretende manter a calma e fazer o exame no próprio ritmo.
Ao deixar um conselho para outros candidatos, Victor destacou a importância de respeitar o próprio tempo e não desistir dos objetivos. “Essa preparação pode ser cansativa e muitas vezes bate aquela sensação de que não estamos preparados o suficiente. Mas cada pessoa tem seu próprio ritmo e sua própria caminhada. O importante é continuar tentando, aproveitar as oportunidades e acreditar que somos capazes de conquistar aquilo que desejamos”, declarou.
Horários e provas dos dois domingos
No primeiro dia do Enem, neste domingo (8), os participantes farão as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias, além da redação.
Serão 45 questões de Linguagens e outras 45 de Ciências Humanas. A prova também inclui a produção de um texto dissertativo-argumentativo, a partir do tema apresentado pelo exame.
No segundo domingo (15), serão aplicadas as provas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias, também com 45 questões em cada área do conhecimento.
Os portões serão abertos às 12h e fechados às 13h, seguindo o horário de Brasília. As provas começam às 13h30.
No primeiro dia, o exame termina às 19h. Já no segundo, a aplicação será encerrada às 18h30, considerando o horário regular e as condições específicas de atendimento previstas pelo Inep.
Confira o que não pode faltar na preparação
Na véspera da prova, o candidato deve conferir o endereço indicado no Cartão de Confirmação e separar os documentos e materiais necessários.
Entre as principais recomendações estão:
* Documento oficial de identificação com foto;
* Pelo menos duas canetas esferográficas pretas de corpo transparente;
* Cartão de Confirmação de Inscrição, preferencialmente impresso;
* Lanche e água, se desejar;
* Medicamentos de uso necessário;
* Declaração de Comparecimento impressa, caso precise comprovar presença.
A recomendação é deixar em casa objetos desnecessários, como relógios, lápis, borrachas, apostilas e outros materiais que precisarão ser guardados no envelope.