"Não temos certeza se ele realmente saiu do quartel", relata advogado de soldado desaparecido
Em entrevista ao Diario, Jario Santos, advogado da vítima, revela não saber se o soldado pulou o muro ou se entrou em algum carro, além de não saber se ele deixou a unidade.
O jovem soldado do Exército Brasileiro, Pedro Gabriel, de 20 anos, que sumiu na madrugada deste sábado (17), não foi visto por ninguém nos momentos anteriores ao ocorrido, de acordo com relato do advogado da vítima, Jario Santos. O defensor reforça que não existe nenhuma testemunha ocular, vídeos ou qualquer outra informação que esclareça o paradeiro do militar. "Não temos certeza se ele realmente saiu do quartel", relata o advogado.
Segundo Jario Santos, foi fornecida apenas uma filmagem do posto de trabalho do soldado. A única, entretanto, é uma gravação que mostra Pedro chegando e se dirigindo ao posto onde deveria ficar, de acordo com comandante do 7º Depósito de Suprimento, no Recife.
O advogado ainda comenta que não possui certeza a respeito do paradeiro de Gabriel. ”Não sabemos se pulou um muro ou se entrou em algum carro. Também não sabemos se ele realmente deixou a unidade. Não há testemunhas, vídeos ou qualquer outra informação que esclareça o que aconteceu. É complicado”, comentou.
Jairo também reforça que Pedro não tinha histórico de problemas mentais e que havia completado um curso de cabo recentemente. ”Ele era um rapaz tranquilo, não tinha envolvimento com drogas ou bebidas alcoólicas e saía pouco à noite. Era muito ligado à família e, por isso, há tantas dúvidas sobre o que aconteceu com ele. Inclusive, ele havia concluído recentemente um curso para cabo, e a promoção dele deveria sair nos próximos dias”, comenta.
Além disso, o defensor destaca que Pedro mantinha um relacionamento com uma mulher, mas que ela perdeu o contato com ele na noite em que ele desapareceu. ”Ela esteve com a família no dia do desparecimento e passou o tempo todo com eles, esperando também receber alguma ligação de Pedro. Mas não houve nenhuma novidade”, contou.
O advogado também questiona como a fuga pode ter sido realizada com um fuzil, que é um armamento pesado, além de todas as munições com calibres grandes. ”Não é possível simplesmente pular um muro de três metros de altura carregando um fuzil, sem que ninguém veja ou escute nada, às duas horas da manhã. É muito estranho. Além disso, com 20 munições de calibre grande, que também têm um peso considerável”, diz.
Por fim, Jairo comenta que está indo ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) para prestar esclarecimentos com a família do militar. ”Estou indo agora ao DHPP, o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa. Eles nos chamaram, e vamos até lá. Provavelmente querem obter mais alguns esclarecimentos. Se houver alguma atualização, também vou divulgá-la nas redes sociais. Mas, até agora, não temos nada de novo”, conclui.