Terremoto de magnitude 6,9 é registrado no Oceano Atlântico a 1,9 mil km do Recife
Abalo foi registrado na região da Dorsal Mesoatlântica, no meio do mar entre o Brasil e a África, mas não há indicação de ameaça de tsunami
Um terremoto de magnitude 6,9 foi registrado na região central da Dorsal Mesoatlântica, no Oceano Atlântico, na terça-feira (13), a aproximadamente 1,9 mil quilômetros do Recife.
O tremor ocorreu em uma área de encontro entre placas tectônicas e chamou a atenção pela intensidade, mas não há indicação de ameaça de tsunami para o litoral brasileiro associada ao evento nos dados consultados. O fenômeno pode ser explicado pelas características geológicas da região, distante da costa e marcada pelo afastamento das placas tectônicas.
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), o terremoto ocorreu às 9h23, no horário de Brasília, a uma profundidade estimada de 10 quilômetros. Outro tremor, de magnitude 6,7, havia sido registrado na mesma região horas antes.
Os dois eventos foram identificados na área da Dorsal Mesoatlântica, uma extensa cadeia de montanhas submarinas que atravessa o Oceano Atlântico.
Segundo o geógrafo Tiago Marinho, terremotos dessa magnitude não são os mais comuns na região, embora a atividade sísmica faça parte da dinâmica geológica da dorsal. “A ocorrência de terremotos com magnitude de 6,7, 6,9 não são tão comuns nessa região devido ao tipo de movimento da placa sul-americana. Temos um movimento divergente e orogenético. Como é uma região ativa pode provocar tremores de baixa intensidade.”
A Dorsal Mesoatlântica marca o limite entre placas tectônicas que se separam lentamente. Esse movimento provoca fraturas na crosta terrestre e libera energia acumulada, produzindo terremotos. Mesmo que a maior parte dos abalos nessa região não provoque consequências diretas para as populações, a magnitude de um evento pode variar significativamente.
“O Brasil está no meio de uma enorme placa tectônica, portanto não temos mais vulcanismo, terremoto e também não há possibilidades de tsunamis. Estamos em um local geologicamente estável”, explica Tiago.
Tremor não representa ameaça direta ao litoral
A distância entre o epicentro e a costa brasileira é um dos fatores importantes para avaliar os possíveis efeitos do terremoto. No entanto, a distância, isoladamente, não é suficiente para descartar o risco de tsunami. A avaliação depende também da profundidade do tremor, do tipo de falha geológica e, principalmente, de quanto o fundo do oceano se desloca verticalmente durante o evento.
Segundo Tiago Marinho, a dinâmica geológica da Dorsal Mesoatlântica ajuda a explicar por que terremotos nessa região não costumam gerar tsunamis de grande alcance. O movimento divergente das placas é diferente daquele observado nas zonas de subducção, onde uma placa mergulha sob outra e pode provocar grandes deslocamentos do fundo marinho.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) explica que nem todo terremoto submarino produz tsunami. Para que isso aconteça, é necessário que o evento provoque um deslocamento suficientemente grande e rápido de água, geralmente associado à elevação ou ao rebaixamento de uma extensa área do fundo oceânico.
Por isso, a magnitude, sozinha, não determina se haverá uma onda potencialmente perigosa. Terremotos de grande intensidade podem não gerar tsunamis significativos, enquanto outros, dependendo das características da ruptura, podem provocar ondas capazes de atingir regiões distantes.
Brasil está em área geologicamente estável
O território brasileiro está localizado predominantemente no interior da Placa Sul-Americana, longe dos limites tectônicos onde ocorrem alguns dos terremotos mais destrutivos do planeta. Essa posição contribui para que o país apresente, em geral, atividade sísmica menos intensa do que regiões como Japão, Chile e Indonésia.
No entanto, a estabilidade tectônica relativa não significa ausência completa de terremotos. Abalos podem ocorrer no interior das placas, em áreas de antigas falhas geológicas submetidas a tensões. No Brasil, esses eventos costumam ser menos frequentes e, na maioria dos casos, apresentam magnitudes inferiores às observadas em grandes zonas de encontro entre placas.