Rio Beberibe acumula lixo na divisa entre Recife e Olinda ao lado da Escola de Aprendizes-Marinheiros
Embalagens de isopor ("quentinhas"), garrafas, plásticos, sandálias e outros resíduos foram encontrados às margens e dentro do rio próximo à ponte ao lado da Escola de Aprendizes-Marinheiros; cenário fica mais evidente durante a maré baixa
Quem passa pela área sob a ponte da Avenida Cruz Cabugá, na divisa entre Recife e Olinda, encontra uma grande quantidade de lixo acumulado no Rio Beberibe. Na manhã desta quarta-feira (16), a equipe de reportagem do Diario esteve no local e registrou resíduos nas proximidades do muro da Escola de Aprendizes-Marinheiros de Pernambuco e também espalhados pelo leito do rio.
Com a maré baixa, por volta das 11h17, o volume de material descartado ficou ainda mais evidente. Entre os itens observados estavam embalagens de isopor usadas para alimentos (quentinhas), garrafas de vidro, potes plásticos, frascos de produtos, sandálias, sofás, colchões e sacolas plásticas.
Procurada pelo Diario, a Prefeitura do Recife, em nota, informou que "uma nova operação de limpeza foi iniciada na segunda-feira (14) e segue em andamento nesta quarta-feira (16), com equipes atuando na retirada do material acumulado".
O lixo não aparece concentrado em apenas um ponto. Parte dos resíduos está próxima ao muro da unidade da Marinha, enquanto outros materiais permanecem espalhados pelo leito do rio. A variedade de objetos encontrados indica que o problema atinge uma área maior do trecho observado pela reportagem.
Segundo a gestão municipal, "por se tratarem de cursos d’água que atravessam diferentes municípios, a gestão dos rios Capibaribe, Beberibe e Tejipió é de responsabilidade do Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac). Ainda assim, reconhecendo a importância desses rios para a cidade, a Prefeitura do Recife mantém serviços próprios de limpeza e coleta de resíduos flutuantes nos trechos situados no município".
Além do impacto visual, o acúmulo de resíduos é acompanhado por um forte mau cheiro. O odor é perceptível nas proximidades da ponte e pode ser sentido até por quem não está diretamente às margens do rio.
A situação fica mais visível quando o nível da água baixa. Com menos água cobrindo as margens, materiais que permanecem submersos ou presos ficam expostos, revelando a dimensão do descarte irregular no local.
Além da situação ambiental, a estrutura da passagem apresenta sinais de deterioração. A mureta de proteção da ponte está desgastada em alguns pontos, e a calçada tem buracos e desníveis, o que dificulta a circulação de pedestres.
De acordo com a Prefeitura do Recife, "o acúmulo observado nesses locais está relacionado, principalmente, ao descarte irregular de resíduos. Por isso, mesmo com as ações contínuas de limpeza, a colaboração da população é fundamental para evitar novos acúmulos".
O Diario procurou ainda os outros órgãos responsáveis para saber informações sobre fiscalização de descarte irregular e os serviços de manutenção da ponte e da calçada.
Íntegra da nota da Prefeitura do Recife:
A Prefeitura do Recife, por meio da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), informa que realiza ações periódicas e pontuais de limpeza nos rios e em suas margens, especialmente nos pontos onde há maior concentração de resíduos. No trecho citado do Rio Beberibe, na divisa entre Recife e Olinda, uma nova operação de limpeza foi iniciada na segunda-feira (14) e segue em andamento nesta quarta-feira (16), com equipes atuando na retirada do material acumulado.
Por se tratarem de cursos d’água que atravessam diferentes municípios, a gestão dos rios Capibaribe, Beberibe e Tejipió é de responsabilidade do Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac). Ainda assim, reconhecendo a importância desses rios para a cidade, a Prefeitura do Recife mantém serviços próprios de limpeza e coleta de resíduos flutuantes nos trechos situados no município.
O acúmulo observado nesses locais está relacionado, principalmente, ao descarte irregular de resíduos. Materiais abandonados nas ruas e em áreas inadequadas podem ser carregados pelas chuvas para a rede de drenagem e, posteriormente, chegar aos rios. Com o fluxo da água, esses resíduos acabam se concentrando em determinados pontos antes de seguirem em direção ao oceano. Por isso, mesmo com as ações contínuas de limpeza, a colaboração da população é fundamental para evitar novos acúmulos.
A área mencionada fica justamente na divisa entre Recife e Olinda. A Emlurb atua nos trechos sob responsabilidade municipal e também realiza ações pontuais em pontos de grande concentração de resíduos na região de limite entre as duas cidades. Denúncias de descarte irregular podem ser registradas pela Central 156 ou pelo Conecta Recife, para fiscalização e adoção das providências cabíveis.
A Prefeitura mantém ainda a operação de coleta de resíduos flutuantes nos trechos navegáveis dos rios da cidade. Nos cinco primeiros meses de 2026, o Ecobarco recolheu uma média de 8,65 toneladas de resíduos por mês nos rios Capibaribe e Tejipió, com projeção de aproximadamente 103,7 toneladas ao longo do ano. O serviço funciona de segunda a sábado, inclusive nos feriados, de acordo com as condições da maré, e também apoia a limpeza das margens e manguezais. A embarcação possui pá mecânica, que possibilita a retirada de materiais de maior porte, como sofás e troncos.