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Pescadores se unem para retirar toneladas de lixo do Capibaribe, no Recife

17ª edição do "Há gosto pelo Capibaribe" reúne pescadores, estudantes e voluntários em atividade de limpeza do rio nesta segunda-feira (31); recorde da iniciativa foi de 29 toneladas recolhidas em um único dia em 2019

Por Cadu Silva

Quantidade de lixo retirada pode ultrapassar 20 toneladas

Pescadores se reuniram nesta segunda-feira (31) para retirar lixo do Rio Capibaribe, no Recife, durante a 17ª edição do Há gosto pelo Capibaribe. A ação, promovida pela ONG Recapibaribe, reúne trabalhadores que percorrem um trecho do rio em barcos para recolher resíduos e chamar a atenção para a poluição, o descarte irregular e a falta de saneamento.

A expectativa da organização é retirar entre 18 e 20 toneladas de lixo nesta edição. Em 2025, foram recolhidas 18 toneladas. O maior volume registrado pelo projeto ocorreu em 2019, quando 29 toneladas de resíduos foram retiradas do Capibaribe em um único dia, com a participação de cerca de 100 pescadores.

Para Gabriel Borges Carneiro, de 48 anos, a atividade também representa uma forma de contribuir para a preservação do rio onde trabalha. Pescador desde criança e morador de uma comunidade de pescadores em Olinda, ele participa da iniciativa há várias edições. Neste ano, levou uma balsa para ampliar a quantidade de resíduos retirada do rio.

“Além dos 300 quilos que a gente traz, eu trouxe umas três toneladas. Eu trouxe para dar um abalo mais ou menos no meio ambiente”, afirmou.

Segundo ele, parte do material já havia sido retirada antes do início do percurso principal por causa do peso. A coleta segue até a área de chegada, onde os resíduos são reunidos e pesados.

A fundadora da ONG Recapibaribe, Maria do Socorro Cantanheira, afirma que a quantidade de lixo recolhida não é o principal objetivo da iniciativa. Para ela, o resultado esperado seria que não houvesse resíduos no rio.

“Na realidade, a gente não tem expectativa nenhuma. Tanto faz tirar uma bituca de cigarro como tirar uma tonelada de lixo. A gente não quer lixo nenhum no rio”, disse.

Ao longo dos anos, segundo a organização, o projeto já retirou volumes que variaram entre 17 e 29 toneladas em uma única ação. Para Maria do Socorro, a preocupação é que a quantidade de resíduos dê lugar à presença de peixes no Capibaribe.

“Eu queria tirar toneladas de peixe, nem que fosse um peixe, mas uma tonelada de peixe, não uma tonelada de lixo”, afirmou.

A coordenadora também defende a ampliação de políticas públicas voltadas ao saneamento e à preservação dos rios. Segundo ela, o descarte de resíduos e o lançamento de esgoto comprometem as condições do Capibaribe.

 

Pescadores recebem apoio e participam de gincana

Além da coleta, a programação inclui uma gincana ambiental entre os pescadores. O lixo retirado por cada participante é pesado individualmente, e os três que recolherem as maiores quantidades recebem premiação em dinheiro.

A barqueata tem início no Capibar, de onde os pescadores seguem em direção à rampa de remo do Sport Club do Recife. A pesagem dos resíduos recolhidos está prevista para começar às 12h e seguir até as 17h. Às 14h, os participantes recebem um lanche

A atividade conta com parceria da Emlurb, que disponibiliza caminhão e balança para a pesagem e retirada dos resíduos. Os pescadores também recebem cestas básicas arrecadadas pela ONG ao longo do ano.

De acordo com Noelle Marão, responsável pela comunicação e pelo planejamento do Recapibaribe, a campanha de arrecadação dos alimentos começa cerca de três meses antes da ação, com participação de escolas, instituições públicas e privadas e da população.

Educação ambiental começa na escola

A ação também recebeu estudantes do Ensino Fundamental da Escola Nosso Ninho, no bairro da Torre. As crianças acompanharam a atividade e participaram pela primeira vez da coleta diretamente nos barcos.

A professora Danielle Jalles explicou que a participação faz parte de um projeto desenvolvido em sala de aula sobre o Rio Capibaribe.

“Hoje nós trouxemos a turma do Fundamental para conhecer de perto a ação da limpeza do Rio Capibaribe. As crianças aprenderam em sala a conscientização do meio ambiente, de cuidar e de limpar dos rios, e hoje a gente está aqui para fazer isso na prática”, afirmou.

A diretora da escola, Juliana Florio, destacou que o objetivo é transformar o contato com a atividade em aprendizado desde a infância.

“Nós trabalhamos isso com as crianças desde pequenininhas para que essa consciência persista e acompanhe eles para o resto da vida, para formar adultos mais conscientes”, disse.