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"Tiraram tapurus da minha perna": paciente com múltiplas fraturas denuncia negligência no HR

Daniel Marinho Guedes, de 38 anos, foi atropelado em março e afirma enfrentar idas e vindas no hospital, infecção óssea e falta de assistência adequada

Por Nicolle Gomes

Daniel Guedes, de 38 anos

Um paciente com fraturas nas pernas denuncia que tem sido vítima de negligência e desassistência no Hospital da Restauração (HR), localizado no Derby, no Recife, há cinco meses. Daniel Marinho Guedes, de 38 anos, teve os membros inferiores quebrados após ser atropelado em março. Ele diz que, desde a internação inicial, enfrenta dificuldades no tratamento.

O caso de Daniel foi noticiado pelo Diario de Pernambuco em maio. Na ocasião, o irmão do paciente, Tiago Marinho, acionou o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) diante da demora da cirurgia de alinhamento e fixação das fraturas.

Passadas seis cirurgias e quase três meses após a instalação de fixadores externos circulares, Daniel afirma que o quadro de saúde se agravou, resultando em um diagnóstico de osteomielite aguda na tíbia esquerda, uma infecção grave do osso, geralmente causada por bactérias ou fungos, e lesão no nervo fibular, que afeta o movimento de erguer o pé e os dedos.

Em entrevista ao Diario, o paciente relatou o histórico de internações e disse que as altas recebidas ao longo do processo ocorreram como retaliação às cobranças da família.

"Eu já fiz seis cirurgias e só consegui porque estou denunciando. É a terceira vez que minha família dá entrada no Ministério Público. Quando eu começo a postar o que está acontecendo aqui, mediante o sofrimento e a demora, eles começam a me dar alta”, comentou.

Daniel disse que ficou 52 dias com os mesmos fixadores, alegando falta de manutenção e de cirurgia, e que posteriormente houve outro procedimento que, segundo ele, deixou a perna deformada.

Ele contou, ainda, que, na penúltima vez em que foi ao hospital, um médico se recusou a atendê-lo, discutiu com ele e o deixou no corredor sem curativos, medicação e refeição. “Meu irmão teve que me levar para casa de carro para eu não morrer ali feito um bicho", afirmou.

O paciente declarou que deu entrada pela quarta vez na unidade na última semana, encaminhado por uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com indicação para raspagem óssea e limpeza da lesão para reduzir o risco de infecções.

Daniel compartilhou que permanece em um leito da emergência e que a ferida operatória apresentou complicações durante o período de internação.

"Foram retirados oito tapurus de dentro da minha perna nesta semana. Eu gravei e mostrei ao médico. Ele disse que ia me operar, mas até agora nada. Faz dias que estou aqui sem nenhuma assistência. Vai ser preciso eu perder minha perna ou morrer para me enxergarem?", questionou.

A família voltou a acionar o MPPE, desta vez com uma representação protocolada em 16 de agosto, na qual pede a apuração de suposta negligência médica, omissão de cuidados e condições de insalubridade no hospital.

O paciente afirma que, sem a adequada assistência, tem tido outras áreas da vida afetadas. Ele destaca que tem vivido de doações para custear tratamentos, medicamentos e deslocamentos.

O que diz o HR

O Diario de Pernambuco procurou o Hospital da Restauração (HR), mas não obteve retorno até a última atualização desta matéria.