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Pernambucana presa em fila de caminhões durante nevasca diz que trânsito começou a avançar

Após as reportagens, Nadja conta que recebeu doações e que compartilha também com outros motoristas que enfrentam a mesma situação

Por Isabella Fabricio

A pernambucana Nadja Alexandrino, o marido e a filha de 11 anos estão há 12 dias presos em uma nevasca

A pernambucana Nadja Alexandrino de Medeiros Gonçalves, de 49 anos, que está há 13 dias retida com o marido, Emerson Gonçalves Bezerra, de 52 anos, e a filha do casal, Sofia, de 11 anos, em uma fila de caminhões na fronteira entre a Argentina e o Chile, em uma nevasca, disse que, nos últimos dois dias, a família avançou cerca de 78 quilômetros.

“Houve um avanço na fila. Nós estamos, neste momento, em Zapala, desde quarta (12) à noite. Continuamos aguardando a orientação da polícia local, que está organizando a fila de caminhões”, disse Nadja. Zapala é uma cidade da Argentina, localizada na província de Neuquén.

A família viaja em uma carreta carregada de carne com destino a Santiago e está entre os motoristas que aguardam a liberação da passagem em meio a uma forte nevasca que bloqueou o trânsito na região.

Segundo Nadja, eles estão em uma área de onde, para sair, é preciso percorrer cerca de 230 quilômetros. “Onde nós estamos agora, a estrutura de apoio é melhor, por se aproximar mais da área crítica. Nós e os demais temos à disposição um posto médico, polícia fazendo ronda e também um posto de gasolina com espaço de conveniência.”

Sobre a alimentação, ela contou que, devido às reportagens, eles receberam algumas doações. “Além de ajudar no nosso abastecimento de mantimentos, também permitiu que compartilhássemos com outros motoristas, porque comida a gente precisa comprar. A distribuição de sopa é apenas no local onde está mais crítico.”

Eles estão na Argentina desde 21 de julho e, de acordo com Nadja, quando iniciaram a viagem, não havia expectativa de que as condições climáticas provocariam uma retenção tão prolongada.

A família saiu do Brasil após uma viagem que começou com o transporte de chocolate, descarregado no Maranhão, e seguiu até Mato Grosso, onde a carreta foi carregada com carne para ser levada ao Chile.

“O nosso destino final é Santiago. Nós estamos carregados de carne para Santiago. Quando saímos de lá, não tínhamos noção nem ideia do que estaria acontecendo aqui. Na verdade, quando entramos aqui na Argentina, ainda não se tinha essas informações de fechamento das fronteiras, porque o tempo não estava nevando como tem estado ultimamente.”

 

Cortesia - Família enfrenta frio de até -7°C

A expectativa inicial era de que a viagem fosse concluída durante o período de férias de Nadja e da filha. Com a paralisação, porém, os planos da família foram interrompidos. Enquanto permanece na estrada, Nadja tenta trabalhar remotamente, e a filha aguarda o envio de conteúdos escolares para acompanhar as atividades mesmo longe de casa.

Ela conta que, fisicamente, estão bem. “Graças a Deus, com a saúde está tudo certinho. Psicologicamente, apesar de todo contratempo e do frio intenso, estamos bem também, em família e com fé em Deus. Superamos qualquer desafio.”