Oito suspeitos de organização investigada por 17 homicídios são presos no Grande Recife
Alvos integravam grupo liderado por Alex Bruno Silva dos Santos, morto em fevereiro de 2025 junto com a companheira
Oito suspeitos de integrar uma organização criminosa investigada por pelo menos 17 homicídios na Região Metropolitana do Recife foram presos nesta quarta-feira (12). Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, os alvos faziam parte do grupo liderado por Alex Bruno Silva dos Santos, conhecido como Baixote, morto em 5 de fevereiro de 2025, junto com a companheira, em Igarassu. Um nono alvo ainda é procurado pelas equipes.
A investigação começou em 2023, após o assassinato de Ezequiel Silva de Arruda, integrante do grupo de Baixote. Segundo a delegada Mariana Martins, titular da 4ª Delegacia de Homicídios do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Ezequiel foi morto no Totó enquanto tentava cometer um homicídio contra um integrante de um grupo rival.
A partir da apuração desse crime, a polícia identificou a disputa entre criminosos que atuavam no Curado 1, em Jaboatão dos Guararapes, e no Totó, no Recife.
Ao longo das investigações, a polícia conseguiu delimitar pelo menos 17 homicídios relacionados à rivalidade entre os grupos. Além dos crimes violentos, os investigadores identificaram uma estrutura dividida entre integrantes responsáveis pelo tráfico e pela logística, pessoas encarregadas dos homicídios e outras utilizadas para ocultar o patrimônio obtido com as atividades criminosas.
Líder continuava dando ordens mesmo preso
Baixote chegou a ser preso em 2023, em João Pessoa, na Paraíba. Na ocasião, foram apreendidas sete armas de fogo e cerca de R$ 92.500,00. Mesmo detido, segundo a delegada, ele continuou exercendo influência sobre os integrantes que estavam fora do presídio.
“Ele ainda continuou tendo influência no presídio, mandando ordens para os comparsas dele aqui na rua efetuarem homicídios e continuarem com o tráfico na comunidade”, afirmou Mariana Martins durante a coletiva.
A atuação da organização se concentrava principalmente no Curado 1 e no Totó, mas a polícia também identificou o fornecimento de drogas para outros bairros.
Líder foi sequestrado por falsos policiais
Baixote foi morto em 5 de fevereiro de 2025. Na madrugada daquele dia, ele e a companheira, Maria Letícia Sousa da Silva, de 26 anos, foram retirados do apartamento onde moravam, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa.
Imagens das câmeras de segurança registraram quatro homens chegando ao prédio em dois carros. Eles estavam encapuzados, armados e usavam coletes atribuídos à Polícia Civil. Para entrar no edifício, os criminosos se passaram por policiais.
Baixote e Maria Letícia foram levados do imóvel e encontrados mortos horas depois, em Igarassu. Os dois apresentavam várias marcas de tiros.
Na época, a Polícia Civil informou que os envolvidos não eram servidores da corporação e que os armamentos, uniformes e coletes utilizados na ação não eram reconhecidos como oficiais.
Segundo Mariana Martins, após a morte do casal, os integrantes que já faziam parte da estrutura de Baixote continuaram sendo investigados. A delegada afirmou que, até o momento, a polícia não identificou uma nova liderança que tenha assumido o comando da organização.
Extorsão contra integrantes e familiares
A investigação também descobriu que o grupo utilizava a extorsão para cobrar dívidas relacionadas ao tráfico. De acordo com a delegada, integrantes que perdiam drogas em apreensões policiais ou ficavam devendo aos criminosos eram pressionados.
Em um dos casos, Baixote teria ido até a casa de um integrante que devia dinheiro e determinado que a família transferisse imóveis para uma pessoa ligada à organização. A pessoa indicada para receber o patrimônio foi presa nesta quarta-feira (12).
Segundo a polícia, a vítima não tinha relação com as atividades criminosas, mas acabou sendo pressionada por ser familiar de um dos integrantes que possuía a dívida.
A investigação também identificou que Baixote evitava manter bens e dinheiro diretamente em seu nome. O grupo utilizava terceiros para ocultar o patrimônio.
R$ 2,66 milhões movimentados
A Polícia Civil realizou uma análise financeira das contas ligadas aos investigados e identificou movimentações de aproximadamente R$ 2,66 milhões.
Segundo a delegada, Baixote não mantinha os valores diretamente em seu nome e utilizava outras pessoas para movimentar os recursos. A investigação também identificou R$ 800 mil em uma conta vinculada à companheira dele.
Após a morte do casal, familiares de Maria Letícia chegaram a solicitar judicialmente a liberação do dinheiro. Ao analisar o pedido, a Justiça identificou o valor e determinou o bloqueio para apurar a origem dos recursos. Segundo a investigação, ficou comprovado que o dinheiro era proveniente do tráfico de drogas.
Na operação desta quarta-feira (12), foram bloqueados pouco mais de R$ 800 mil. A quantia integra a ofensiva de asfixia financeira da organização.
A delegada explicou que os R$ 2,66 milhões correspondem ao montante identificado na análise financeira, e não ao valor apreendido nesta quarta.
Armas e drogas
Apesar de a organização ter sido investigada por tráfico de drogas e possuir um arsenal, nenhuma arma ou droga foi apreendida durante a operação, segundo a delegada.
As apreensões ocorreram ao longo da investigação e foram utilizadas para comprovar a estrutura criminosa. Segundo Mariana Martins, a polícia reuniu registros que mostram a quantidade de armas e drogas movimentadas pelo grupo.
Sete, dos oito presos foram encaminhados ao Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), onde permanecem à disposição da Justiça, enquanto um segue detido na Paraíba. De acordo com a delegada, cada investigado deverá responder individualmente pelos crimes atribuídos a ele, que incluem homicídio, tráfico de drogas, extorsão, porte ilegal de arma e lavagem de dinheiro.
As equipes da Polícia Civil continuam nas ruas para localizar o nono alvo da operação.