Golfinho é encontrado morto na Praia de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes
Boto-cinza macho tinha 2,5 metros e pesava cerca de 130 quilos; animal estava em avançado estado de decomposição
Um golfinho foi encontrado morto na manhã deste domingo (9) na Praia de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife. O animal, identificado como um boto-cinza (Sotalia guianensis), já estava em avançado estado de decomposição quando foi localizado.
Uma equipe do Núcleo de Monitoramento de Animais Marinhos e Silvestres (Moamas), ligado à Secretaria Executiva de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal de Jaboatão dos Guararapes, foi acionada e realizou os procedimentos biométricos no local. De acordo com o órgão, o animal era um macho, com aproximadamente 2,5 metros de comprimento e 130 quilos.
Após a avaliação, a equipe acionou a Secretaria de Limpeza Urbana de Jaboatão dos Guararapes para realizar a remoção da carcaça. Por causa do avançado estado de decomposição, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) recomendou que o animal fosse enterrado em uma área isolada. Com as condições da carcaça, não foi possível realizar uma necropsia para determinar a causa da morte.
O boto-cinza é uma espécie de golfinho que ocorre em praticamente todo o litoral brasileiro, desde o Amapá até Santa Catarina, segundo informações do ICMBio.
Em 2025, foram registrados quatro encalhes de botos-cinzas no litoral de Pernambuco. Três ocorreram em agosto, na região de Suape, no Cabo de Santo Agostinho, e outro foi registrado em novembro, na Praia do Pina, no Recife.
Quinto caso em 48 horas
O caso do boto-cinza ocorre após outros quatro registros de animais marinhos encontrados mortos em praias do Grande Recife. Entre a sexta-feira (7) e o sábado (8), quatro tartarugas foram localizadas em praias de Jaboatão dos Guararapes e do Recife.
A Prefeitura de Jaboatão, por meio de nota, afirmou que as tartarugas mostravam "características compatíveis com interação acidental com redes de pesca".
De acordo com o cientista ambiental e mestre em Ecologia Maurício Dália, alguns pescadores, após utilizarem a rede de pesca, não fazem a retirada desse elemento da maneira correta. "No caso das tartarugas, pode ter ocorrido um enroscamento. Isso também poderia acontecer com outros animais marinhos, como golfinhos, baleias e peixes-bois, que são animais que ainda precisam subir à superfície para respirar, pois são pulmonados. E assim acabam morrendo afogados por enroscamento nessas redes", explica o pesquisador em entrevista ao Diario.
Para Dália, a única forma de mudar essa realidade é conscientizar os pescadores e, em medidas mais extremas, até mesmo proibir a técnica. "Esse é um modelo que traz muitos danos à biodiversidade marinha e que promove muito desequilíbrio ecológico devido à diminuição populacional desses animais", comenta.
Monitoramento
De acordo com o coordenador do Moamas, Adriano Artoni, em entrevista ao Diario de Pernambuco, a maioria dos casos que chegam às praias são de animais vítimas de acidentes com redes de pesca, em razão do emaranhamento nessas redes abandonadas, principal causa dos óbitos. Ele também aponta que os animais podem se deparar com outros agravantes, como plásticos no oceano e colisões.
“Em relação a estas quatro tartarugas encontradas mortas, com uma delas em estado de decomposição, o que dificulta a avaliação, podemos dizer que isso acontece, principalmente, quando pescadores não recebem orientação ou instrução adequada, deixando as redes no mar. E, infelizmente, esse tipo de acidente acaba acontecendo. Os animais também podem ser vítimas de colisões com embarcações ou da ingestão de resíduos plásticos, mas, quando temos vários casos em um intervalo tão curto, como ocorreu agora, a suspeita maior é de acidentes provocados por redes de pesca abandonadas", salientou.
O coordenador do Moamas destaca ainda a importância do cadastramento e regularização de pescadores avulsos, os chamados “pescadores anônimos”.
“Nossa preocupação está principalmente com os pescadores que não são registrados nas colônias de pesca. O pescador que é cadastrado e recebe orientação costuma seguir os procedimentos adequados e fazer o monitoramento necessário para evitar acidentes com os animais", finaliza.