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Média de idade para infarto em Pernambuco é de 70 anos, aponta estudo

Levantamento da Rede D’Or analisou 4.921 pacientes em seis estados e encontrou médias de 58 anos em São Paulo, 62 no Rio de Janeiro, 67 em Brasília, 67,5 em Minas Gerais, 69 na Bahia e 70 em Pernambuco

Por Adelmo Lucena

Congresso Internacional de Cardiologia Rede D'Or 2026

Pernambuco apresenta média de 70 anos entre os pacientes que sofrem infarto agudo do miocárdio (IAM), segundo um estudo realizado pela Rede D’Or. O número coloca o estado entre aqueles com perfil de infarto mais tardio no levantamento, mas, para os cardiologistas, a idade média não significa que os pernambucanos estejam livres do risco cardiovascular. Hipertensão, colesterol elevado, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo continuam entre os principais fatores associados aos eventos coronarianos. O estresse também pode contribuir para esse risco, mas os médicos ressaltam que não é possível apontá-lo isoladamente como causa da diferença observada entre os estados.

O levantamento analisou 4.921 pacientes atendidos com suspeita de infarto entre janeiro de 2025 e março de 2026, em 59 unidades da Rede D’Or de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais e Pernambuco. Do total, 2.194 receberam diagnóstico de infarto, enquanto 2.727 tiveram angina instável.

Entre os pacientes que sofreram infarto, Pernambuco apresentou média de idade de 70 anos. A Bahia registrou 69 anos; Brasília e Minas Gerais, 67 e 67,5 anos, respectivamente. No Rio de Janeiro, a média foi de 62 anos, e São Paulo apresentou a menor idade média do levantamento, de 58 anos.

A diretora nacional de Cardiologia da Rede D’Or, Olga Ferreira de Souza, afirma que existe uma diferença no perfil etário entre as regiões analisadas. Segundo ela, os pacientes do Sudeste aparecem como uma população mais jovem em comparação com os do Nordeste.

A médica avalia que o estresse pode ser um dos fatores que ajudam a explicar essa diferença, principalmente em grandes centros urbanos. No entanto, ela ressalta que não há um estudo capaz de comprovar que esse seja o motivo para a ocorrência mais precoce de doença coronariana em determinadas regiões.

A relação entre estresse e saúde cardiovascular é reconhecida, mas não deve ser analisada de forma isolada. O estresse crônico pode contribuir para alterações que elevam o risco cardiovascular e também influenciar hábitos como tabagismo, alimentação inadequada e sedentarismo.

“Como os fatores de risco, como hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo, são semelhantes, a gente atribui a diferença ao estresse. Mas teria que fazer um estudo para demonstrar isso”, explica Olga.

Para o cardiologista André Casarsa, a presença de fatores de risco é significativa mesmo entre pacientes atendidos na rede privada. No estudo, 70% dos pacientes apresentavam hipertensão e 40% tinham colesterol elevado. “A grande maioria dos pacientes tem pelo menos um fator de risco quando tem um evento coronariano pela primeira vez.”

Idade maior não significa risco menor

Mesmo Pernambuco apresentando a maior média de idade entre os estados analisados, os especialistas alertam que o número não deve ser interpretado como uma espécie de proteção. A doença cardiovascular pode se desenvolver sem sinais claros ao longo dos anos, especialmente quando fatores de risco não são identificados e controlados.

De acordo com o Ministério da Saúde, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo e tabagismo estão entre os principais fatores relacionados às doenças cardiovasculares e à aterosclerose, processo que pode levar à obstrução das artérias coronárias e ao infarto.

A própria análise da Rede D’Or aponta que os pacientes que morreram tinham, em média, idade aproximadamente 10 anos superior à dos sobreviventes. A taxa de mortalidade entre os 4.921 pacientes avaliados foi de 2,4%.

Segundo Olga, o infarto em pessoas mais jovens pode apresentar características que aumentam a gravidade do quadro. Em alguns casos, o paciente pode ter uma única placa de gordura em uma artéria coronária sem saber que ela existe. Se essa placa se rompe e provoca uma obstrução súbita, o coração pode não contar com uma circulação colateral suficientemente desenvolvida para compensar a interrupção do fluxo sanguíneo.

A médica compara o mecanismo ao de um rio, já que quando há outras vias de circulação, uma obstrução pode ser parcialmente compensada. No coração, a presença de vasos colaterais pode representar uma espécie de rede alternativa de irrigação em determinadas situações.

Fatores de risco exigem acompanhamento

Para os especialistas, o dado de Pernambuco deve ser encarado como uma informação epidemiológica e não como motivo para adiar os cuidados com a saúde. O acompanhamento médico é importante para identificar fatores de risco antes que eles resultem em um evento cardiovascular.

O Ministério da Saúde recomenda atenção à pressão arterial, ao colesterol, ao diabetes, ao peso, à alimentação e à prática regular de atividade física, além da interrupção do tabagismo.

“Cuidar da saúde, praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada, controlar a pressão arterial, o colesterol e o diabetes, evitar o tabagismo e procurar atendimento diante de sintomas suspeitos são medidas capazes de prevenir a doença cardiovascular”, reforça a cardiologista Mariana Mancilha, gerente médica da Cardiologia D’Or.

Em caso de sintomas compatíveis com infarto, como dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, palidez ou sensação de desmaio, a orientação é procurar atendimento de emergência imediatamente. O Ministério da Saúde destaca que a rapidez no atendimento é fundamental para reduzir o risco de morte.

Atendimento rápido

Além do perfil dos pacientes, o estudo avaliou o atendimento realizado nas unidades da Rede D’Or. Entre os pacientes com suspeita de infarto, o tempo médio entre a chegada ao pronto-socorro e a realização do eletrocardiograma foi de cinco minutos.

O exame é utilizado para avaliar a atividade elétrica do coração e faz parte da avaliação inicial de pacientes com suspeita de síndrome coronariana aguda. A agilidade é relevante porque o infarto é uma emergência médica e o tratamento precoce pode reduzir danos ao músculo cardíaco e o risco de morte.

Os dados do levantamento foram apresentados no Congresso Internacional de Cardiologia Rede D’Or 2026, realizado entre os dias 6 e 8 de agosto, no Rio de Janeiro.