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Há quase 26 anos, GTP+ combate preconceito e acolhe pessoas com HIV em Pernambuco

Criado em dezembro de 2000, o Grupo de Trabalho em Prevenção Posithivo (GTP+) beneficia cerca de 500 pessoas por mês realizando doação de alimentos, testagens rápidas e palestra de orientação sobre HIV/Aids

Por Bartô Leonel

Criado em dezembro de 2000, o GTP+ se tornou, ao longo todos esses anos, um lugar de acolhimento para o público que convive com o HIV/ Aids

Em um período marcado pelo medo, pela desinformação e pelo preconceito contra pessoas diagnosticadas com HIV/Aids, um grupo de soropositivos decidiu transformar a própria experiência em acolhimento e defesa de direitos. Foi assim que nasceu, há quase 26 anos, o Grupo de Trabalho em Prevenção Posithivo (GTP+), organização que atua no Recife para combater o estigma em torno do HIV e reduzir a vulnerabilidade social de quem convive com o vírus.

Fundada em dezembro de 2000 por pessoas que viviam com HIV, a ONG consolidou-se como um espaço de acolhimento, orientação e promoção da cidadania para a população soropositiva. Além da defesa de direitos, a entidade desenvolve ações de prevenção, assistência social e incentivo ao acesso aos serviços de saúde.

“O GTP+ surge de um grupo de aproximadamente 10 pessoas que testaram positivo para o HIV e que começaram a discutir sobre direitos humanos, cidadania, prevenção, acesso aos serviços especializados de saúde para essa população. O primeiro projeto que surgiu foi o Mercadores de Ilusões, que era voltado especificamente para a população de travestis, transexuais e HSH que trabalhavam como profissionais do sexo”, explicou Alessandro Abreu, de 46 anos, um dos membros da coordenação colegiada do GTP+.

Ao longo dos anos, Alessandro Abreu relata que o Grupo de Trabalho recebeu uma série de estigmas e preconceitos, principalmente quando desenvolvia suas atividades.

“Quando começamos a vender comida para tentar sustentar o GTP+ e entregar para pessoas em vulnerabilidade, muitas pessoas faziam comentários estigmatizando o nosso trabalho, dizendo para evitarem consumir nossos alimentos, alegando que elas poderiam pegar HIV. Isso é algo extremamente preconceituoso, que diminuiu com o passar do tempo, mas que infelizmente ainda é presente na sociedade”, relatou.

Atualmente, segundo Alessandro Abreu, o projeto beneficia diretamente cerca de 500 pessoas por mês com suas atividades de orientação sobre HIV/Aids, doação de alimentos para pessoas em vulnerabilidade social e projeto de testagem rápida para HIV, sífilis e hepatite B e C.

Além disso, o Grupo de Trabalho também conta com Espaço Positivo, local de acolhimento de pessoas soropositivas situado na Rua Gervásio Pires, Galeria 436, na área central do Recife.

Apesar dessa quantidade de projetos, algumas atividades desenvolvidas pelos voluntários do GTP+ estão suspensas por conta da falta de recursos, como é o caso da iniciativa Fortalecer para Superar Preconceito, através do qual o grupo desenvolve palestras para a população privada de liberdade.

Dificuldades financeiras

Segundo Alessandro Abreu, o principal problema enfrentado pelo grupo é a questão financeira, já que o GTP+ se sustenta por meio de doações de outros projetos sociais, de editais públicos e de doações, principalmente de pessoas físicas.

“Tivemos que mudar nossa sede da Manoel Borba para Gervásio Pires por conta do valor do aluguel. Em 2024, a gente passou por um sufoco financeiro muito grande, ao ponto de pensarmos que o projeto iria acabar”, relembrou. Porém, apesar das dificuldades, é o brilho nos olhos de cada beneficiário que mantém vivo o projeto e o amor pelo próximo.

“Eu classifico que nossa atuação gira em torno do acolhimento e da solidariedade das pessoas que testaram positivo para o HIV/Aids, mostrando que elas não estão sozinhas. É muito gratificante ver o brilho nos olhos daquelas pessoas que aprendem várias coisas na nossa orientação e encontros. Tudo isso faz com que eu e todos os voluntários amemos o que fazemos para todos os beneficiados”, finalizou Alessandro Abreu.