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Educação, cultura e assistência social para a periferia da Zona Norte do Recife há 57 anos

Centro Social Dom João Costa transforma vidas no Alto José do Pinho e comunidades vizinhas, com foco na autonomia de crianças, jovens e famílias

Por Nicolle Gomes

O centro atende cerca de 600 pessoas e 180 famílias

“Um farol de oportunidades, desenvolvimento e esperança”. É assim que o Centro Social Dom João Costa (CSDJC) é descrito pela diretora-presidente, Edjane Carneiro. Fundada há 57 anos pelas religiosas da Instrução Cristã (as Damas), a instituição atua promovendo ações de educação, cultura e assistência social no bairro do Alto José do Pinho e em localidades próximas da Zona Norte do Recife.

Tudo começou em 1969. O nome da organização homenageia o legado de Dom João Batista Portocarrero Costa, ex-Arcebispo Titular de Selge e Coadjutor de Olinda e Recife, que não só atuou na Ação Católica, como também na educação.

"O intuito é chegar junto das pessoas menos favorecidas e, ao mesmo tempo, que vivem em situação de vulnerabilidade social. Tudo que a gente oferece no Centro é na perspectiva de as pessoas terem mais vida e, vida com dignidade em abundância”, explica.

 

Cuidado integral, cultura e desenvolvimento

A instituição desenvolve projetos voltados para toda a população das localidades atendidas. São cerca de 600 pessoas e 180 famílias atendidas, segundo Edjane.

Para as crianças e jovens, a grade inclui acompanhamento escolar, letramento, incentivo à leitura, ginástica rítmica e aulas de flauta pelo projeto Tocando Vidas. No esporte, a organização promove equipes de futsal e queimada.

“A gente diz que é o futsal de respeito também, porque a gente trabalha o todo para poder revelar por meio dele os talentos que essas crianças têm”, ressalta a gestora.

A formação musical é promovida com a Orquestra Dom João Costa desde 2009. Com 59 componentes, o projeto acumula histórias de sucesso, integração social e oportunidades.

“A gente faz com que a música e a cultura sejam de fato valorizadas e expandidas além do centro social”, pontua.

Outro objetivo é fortalecer a autonomia financeira das famílias. O curso de empreendedorismo da CSDJC atende 60 moradoras chefes de família por ciclo.

“As mulheres foram preparadas para realmente serem empreendedoras do seu próprio negócio e a gente tem visto um grande resultado. Os impactos já estão acontecendo na comunidade”, comenta.

Além das atividades e projetos, o centro oferece refeições diárias no turno da manhã, tarde e noite. Só no ano passado, cerca de 96 mil refeições foram servidas, destaca a gestão.

Transformação mútua

Para a irmã Edjane, o trabalho diário com a comunidade é uma via de mão dupla. "Minha vida é colocada a serviço, mas, ao mesmo tempo, essa vida é transformada. Porque eu percebo que as pessoas que caminham sós, na verdade, não estão sozinhas”.

Ela complementa citando a fundadora da Instrução Cristã, Madre Agathe Verhelle, para definir o sentimento que guia a equipe: “Nossa fundadora tem uma frase que diz: ‘Alegrar-se e fazer o bem', e, para mim, isso se faz a cada dia, a cada momento em que eu me encontro com uma pessoa que eu posso ajudar”.

Nessa trajetória, seguir com o propósito não é fácil, destaca Edjane. “Os desafios maiores são exatamente a captação de recursos para que a gente possa ampliar e atender mais beneficiários”, revela.

Para custear as atividades, a instituição promove eventos arrecadatórios com frequência. O centro também recebe doações de alimentos, roupas e calçados para um bazar comunitário. Apesar das dificuldades, a motivação é só uma: seguir transformando vidas.

“A gente não fica somente no servir. A gente oportuniza às pessoas buscarem seu próprio caminho, seu alçar de próprios voos”, conclui a religiosa, lembrando outra máxima de Madre Agathe: “Podemos sempre mais do que imaginamos”.