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Teatro Valdemar de Oliveira é classificado com risco alto de desabamento, aponta Defesa Civil

Relatório encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco enquadra imóvel histórico da Boa Vista na categoria R3; prédio segue abandonado enquanto processo de tombamento avança

Por Cadu Silva

Em ruínas, Teatro Valdemar de Oliveira vive o drama do abandono no Centro do Recife

O Teatro Valdemar de Oliveira, um dos espaços mais emblemáticos da cultura pernambucana, foi classificado pela Defesa Civil do Recife como imóvel de risco alto (R3) para possível desabamento. A informação consta em relatório encaminhado à 35ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital, que acompanha a situação da edificação localizada no bairro da Boa Vista, área central do Recife.

De acordo com a classificação adotada pela Defesa Civil, o nível R3 indica danos potenciais elevados e a necessidade de intervenções estruturais ou medidas preventivas para evitar o agravamento dos riscos. Acima dessa categoria está apenas o nível R4, considerado risco muito alto, quando há ameaça iminente de desastre e a integridade física da estrutura encontra-se severamente comprometida.

Em nota, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) informou que recebeu o relatório e já requisitou informações complementares à Defesa Civil do Recife e à Secretaria Executiva de Controle Urbano. Segundo o órgão, o caso continuará sendo acompanhado, mas atualmente aguarda retorno do município sobre as providências adotadas.

Tombamento segue em andamento

O envio do relatório ocorre enquanto avança o processo de tombamento do Teatro Valdemar de Oliveira pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). O procedimento ainda está na fase de elaboração do Exame Técnico de Tombamento, documento que servirá de base para análise do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC).

Embora a decisão final ainda não tenha sido tomada, a legislação estadual garante proteção provisória ao imóvel desde a abertura do processo, submetendo o prédio às mesmas regras aplicadas aos bens oficialmente tombados.

Estrutura degradada preocupa órgãos de preservação

Mais de cinco anos após o encerramento das atividades e pouco mais de um ano após o incêndio que atingiu o edifício, o teatro permanece sem obras de recuperação.

Em vistoria realizada pela Fundarpe, foram apontadas diversas medidas emergenciais para evitar o avanço da deterioração, entre elas a recuperação das alvenarias e empenas laterais, recomposição da cobertura, drenagem de água acumulada, retirada de entulhos, dedetização, isolamento da área e apresentação de laudos técnicos sobre a estabilidade da estrutura.

Segundo a fundação, até o momento não foram apresentados projetos ou planos de recuperação pelos responsáveis pelo imóvel.

 A equipe de reportagem do Diario de Pernambuco entrou em contato com a família para saber como anda o processo de recuperação do espaço, mas até o momento não obteve resposta.

Ministério Público investiga abandono

O estado de conservação do teatro já é alvo de um procedimento administrativo instaurado pelo MPPE em maio de 2024. A investigação foi aberta após denúncias de invasões, furtos, roubos e depredações registradas desde o fechamento do espaço durante a pandemia.

O caso também ganhou maior repercussão após o incêndio registrado em 2024, que destruiu parte significativa da estrutura. A sala principal de espetáculos e a Biblioteca Samuel Campelo, que abrigava importante acervo sobre a história do teatro pernambucano, foram os setores mais atingidos pelas chamas.

Patrimônio cultural de Pernambuco

Inaugurado em 1971, o Teatro Valdemar de Oliveira nasceu como sede do Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), grupo fundado em 1941 pelo médico, escritor, ator e músico recifense Valdemar de Oliveira.

Após a morte do fundador, em 1977, o equipamento passou a levar seu nome e se consolidou como uma das principais referências da cena teatral pernambucana, contribuindo para a formação de artistas e para o desenvolvimento das artes cênicas no Estado.

Procurados anteriormente para comentar o estado atual do imóvel e as negociações voltadas à recuperação do espaço, representantes do TAP não se manifestaram.