PF cumpre mandados contra tráfico de mulheres e exploração sexual em Pernambuco, PB e RN
Operação Donos da Noite, da Polícia Federal (PF), cumpriu mandados em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte contra o tráfico de mulheres para fins de exploração sexual e submissão de pessoas a condições análogas à escravidão
Operação Donos da Noite cumpriu, nesta quarta-feira (10), nove mandados em três estados para identificar possíveis vítimas de exploração sexual e trabalho análogo ao de escravo.
A ação ocorreu simultaneamente em municípios de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
A operação foi deflagrada pela Polícia Federal, com participação do Ministério Público Federal (MPF), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Ela tem como objetivo reunir provas sobre a atuação de uma possível rede interestadual voltada ao tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e à submissão de pessoas a condições análogas à escravidão.
Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal da Paraíba.
A investigação teve início a partir de informações encaminhadas pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Guarabira (PB), posteriormente remetidas à Justiça Federal e aprofundadas pela Polícia Federal.
Além do cumprimento das ordens judiciais, equipes da força-tarefa realizam ações de fiscalização nos estabelecimentos investigados para apurar indícios de tráfico de pessoas e trabalho análogo ao de escravo, identificar possíveis vítimas e, quando necessário, adotar medidas de proteção e resgate.
Segundo as investigações, os locais sob apuração seriam utilizados para exploração sexual de mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica.
Há indícios da imposição de dívidas, metas de consumo, multas e outros mecanismos de controle.
Também são apuradas possíveis transferências de mulheres entre estabelecimentos localizados nos três estados.
A operação busca busca documentos, aparelhos celulares, computadores, mídias eletrônicas, registros contábeis, comprovantes de movimentação financeira, máquinas de cartão e outros elementos.
A PF espera que a apreensão que possa contribuir para o esclarecimento dos fatos, a identificação de vítimas e de eventuais envolvidos, bem como para o rastreamento de recursos relacionados às atividades investigadas.
Participam da ação policiais federais, procuradores da República, procuradores do Trabalho e auditores-fiscais do Trabalho, em atuação integrada voltada ao enfrentamento de crimes contra a dignidade humana, a liberdade individual e a organização do trabalho.
Os fatos investigados podem caracterizar os crimes de redução à condição análoga à de escravo, tráfico de pessoas, manutenção de casa de prostituição e rufianismo, previstos nos artigos 149, 149-A, 229 e 230 do Código Penal.
Outros delitos podem vir a ser identificados ao longo das investigações.
O nome da operação faz referência ao contexto investigado, envolvendo estabelecimentos de funcionamento noturno que, segundo os indícios apurados até o momento, teriam sido utilizados para a exploração de mulheres em situação de vulnerabilidade.