Há 40 anos apoiando pequenos guerreiros
O Núcleo de Apoio à Criança com Câncer (NACC) segue há quatro décadas atuando para que crianças e adolescentes em tratamentos oncológicos tenham dignidade na busca pela cura
Dar abrigo digno para crianças e adolescentes que passam por tratamento oncológico. Essa é a missão principal do Núcleo de Apoio à Criança com Câncer (NACC), na Zona Norte do Recife. Há 40 anos, o espaço é um lar para os pequenos que vêm para os hospitais da capital pernambucana.
“O Nacc tem como missão prestar apoio e atendimento global para que toda criança com diagnóstico de câncer, que não tenha moradia em Recife nem recursos financeiros para fazer tratamento, porque o câncer não escolhe local, cor ou sexo”, explica a diretora-presidente do Nacc, Arli Pedrosa.
Ainda de acordo com ela, a instituição oferece acolhimento para as crianças, que são auxiliadas com alimentação, transporte, atendimento odontológico, fisioterapia, nutrição, serviço social e educação.
A entidade atende pacientes diagnosticados com câncer tratados em alguns hospitais no Recife: Imip, Oswaldo Cruz, Hospital do Câncer, Hemope e Hospital Português. Cerca de 120 crianças e acompanhantes são acolhidos diariamente.
“Tudo que uma criança normal tem quando não está em tratamento, a gente procura oferecer para que ela enfrente o tratamento com dignidade, que ela consiga ficar curada e consiga voltar para o seu mundinho real”, acrescenta a diretora-presidente.
Como surgiu
O Nacc foi criado em 1985. À época, a maioria da população que vinha para fazer tratamento de câncer em Recife, era do interior e de família de baixa renda, explica a diretora-presidente do Nacc, Arli Pedrosa.
“O Nacc surgiu pela necessidade de um espaço para as crianças que viessem para hospitais do Recife. Essas crianças vinham, recebiam o diagnóstico, mas, fatalmente, abandonavam o tratamento porque não tinha um local onde elas pudessem receber acolhimento, albergar, se alimentar e elas voltavam para o interior e não retornavam para as consultas”, diz Arli.
Segundo informações da instituição, a taxa de abandono do tratamento por parte de pacientes do interior de Pernambuco chegava a 30%. Foi então que a ideia do Nacc foi pensada pelo oncologista Francisco Pedrosa, responsável à época pela oncologia pediátrica do Barão de Lucena, na Zona Oeste do Recife.
“Ele fez um estágio em Nova York e viu como as coisas funcionavam lá. Então foi organizado um grupo de pessoas interessadas em colaborar com a causa do câncer infantil e foi criado o Nacc. O passo seguinte seria como conseguir concretizar esse sonho”, acrescenta Arli.
No presente
Hoje, quatro décadas depois, o sonho não só é concreto como bem sucedido: 8.659 usuários já foram atendidos pela entidade, sendo 6.527 pernambucanos e 2.132 de outros estados.
Do total de pernambucanos atendidos, 60% são do interior e 40% do Grande Recife, ainda segundo a organização. Além disso, o atual o índice de abandono é de menos de 1%, conforme destaca o Nacc.
“É muito importante ver uma criança dizer: ‘Terminei meu tratamento, estou indo para casa’, ver que conseguimos apoiar aquela família e no final deu certo, ela voltou para sua casa, para sua vidinha, para sua escola. Esses resultados são uma recompensa emocional do trabalho que fazemos”, conta Arli, emocionada.
Ela destaca, ainda, a experiência pessoal de fazer parte da organização, descrita como “um divisor de águas”. Diretora-presidente há 30 anos, Arli relembra que chegou ao Nacc como voluntária e se envolveu com o trabalho.
Ao longo da existência, para além do combate ao cenário de abandono do tratamento oncológico infantil, o principal desafio do Nacc é a própria existência, destaca Arli.
“O maior desafio é manter funcionando. São 40 anos e todo dia é um desafio. Procuramos pensar em como vamos fazer o Nacc funcionar, como vamos olhar para as mães e crianças e dizer que vai dar tudo certo, que não vai faltar nada. É uma instituição que busca e depende de doações, mas mantém um equilíbrio financeiro”, comenta.
Apesar dos desafios, Arli afirma com entusiasmo que o Nacc quer continuar promovendo um trabalho tão importante para as crianças e adolescentes que precisam desse apoio.
“Esperamos viver 200 anos prestando apoio. Que venham pessoas novas, com novas ideias que possam continuar o trabalho, porque diagnóstico de câncer vai existir, crianças e famílias que precisam de acolhimento vão continuar existindo. Esperamos que o Nacc siga firme, mantendo o padrão de atendimento e a dignidade de quem busca apoio”, finaliza.