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Leptospirose: o perigo silencioso trazido pelas chuvas e alagamentos

A doença é um das consequências do contato, muitas vezes inevitável, com as águas de áreas inundadas

Por Nicolle Gomes

Pernambuco tem mais de um caso de leptospirose por semana em 2026

Pernambuco registrou mais de um caso de leptospirose por semana em 2026, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE). Segundo a pasta, 28 pessoas tiveram a doença no estado até o último dia 18 de abril e, desse total, seis pacientes acabaram vindo a óbito.

Ao longo de todo o ano passado, 56 pessoas perderam a vida após serem contaminadas no estado. A leptospirose é uma doença grave causada pelo contato com bactérias presentes na urina de roedores, como ratos, e que normalmente se espalha pela água suja de alagamentos e enchentes. Em períodos chuvosos, o risco de contaminação aumenta.

Em comparação com o mesmo período de 2025, quando 85 casos de leptospirose foram confirmados, houve uma redução de 67%, segundo a SES. Apesar disso, o alerta de cuidado com a doença se mantém nesse período de muita chuva, como explica o diretor-geral de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador da SES-PE, Eduardo Bezerra.

“O principal meio de transmissão da leptospirose é a água no período chuvoso, que arrasta a urina do rato de telhados, terrenos, interior de casas e ruas. Temos esse cuidado grande com alagamentos, porque eles bloqueiam a passagem das pessoas que, muitas vezes, são obrigados a passar pela água e acabam expostas. Todo período de chuva forte a gente espera aumento de casos”, detalha Bezerra.

A leptospirose entra no corpo por meio de microfissuras na pele que muitas vezes são invisíveis a olho nu, acrescenta o diretor. Por isso, o contato com água empoçada representa um risco à saúde. No entanto, muitas vezes, ele é inevitável. “A leptospirose começa com febre e sintomas parecidos com os das arboviroses. Depois de alguns dias, ela volta com sintomas clássicos: dor na batata da perna, rigidez, e aí vai piorando para outras situações, como problemas renal e hepático”, explica o diretor da SES. Segundo ele, existe a dificuldade, tanto para a população quanto para os profissionais de saúde, em detectar os sinais e sintomas.

Além da leptospirose, o contato com água de poças também tem risco de contaminação por outras doenças, como tétano, hepatite A e as chamadas Doenças Diarreicas Agudas (DDA), que podem ser causadas por diferentes microorganismos que geram a gastroenterite.

Nestes casos, após a exposição arriscada, é preciso estar atento às alterações na saúde. “Se a pessoa entrar em contato com água empoçada, a orientação é lavar a região com água e sabão para higienizar. Procurar unidade de saúde também é importante. No intervalo de 30 dias, se tiver febre, é preciso avisar ao profissional de saúde do contato com a água empoçada, porque são doenças que se iniciam com a febre”, orienta Bezerra.

Ele detalha, ainda, que a febre é o sintoma que demanda maior atenção nessas circunstâncias. “É importante prestar atenção na febre como sinal que vai desencadear o cuidado”. Ele lembra que as arboviroses, alguns tipos de diarreias, leptospirose e tétano são doenças que começam com febre. E que esse é um sintoma que não deve ser negligenciado.

Diante dos riscos, mesmo com os desafios, é importante destacar medidas de proteção. O Ministério da Saúde orienta o uso de botas impermeáveis e luvas ao transitar em áreas inundadas para reduzir significativamente o risco de contato direto com água contaminada.

Outras instruções são cobrir cortes ou arranhões com bandagens à prova d’água para evitar contato com bactérias e descartar alimentos que tenham entrado em contato com água de enchente.