Envio de recursos para Pernambuco pode ser liberado em até 3 dias após aprovação, diz secretário da Defesa Civil Nacional
Wolnei Wolff Barreiros declarou que, neste primeiro momento, atenção deve ser total às pessoas
Uma equipe da Defesa Civil Nacional chega ao Recife ainda na noite desta sexta-feira (1º) para atuar junto aos municípios afetados pelas chuvas, na articulação das demandas emergenciais. Ao Diario de Pernambuco, o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff Barreiros, detalhou como será o apoio.
Segundo ele, o foco inicial é orientar as gestões municipais sobre como acessar recursos federais e estruturar a resposta à população atingida. “A equipe já está em deslocamento e chega ainda hoje ao Recife. A partir de amanhã de manhã, começa a trabalhar junto com a Defesa Civil do Estado e dos municípios, orientando passo a passo para que eles possam acessar os recursos do governo federal”, afirmou Barreiros.
O secretário explicou que o primeiro passo é a decretação de situação de emergência pelos municípios, seguida da solicitação de reconhecimento federal por meio do sistema oficial. “Nós conseguimos analisar esse pedido muito rapidamente e, já a partir de amanhã, conforme os decretos forem chegando, podemos fazer esse reconhecimento”, assegurou.
Com o reconhecimento, as cidades ficam habilitadas a receber recursos e apoio federal. A atuação, segundo o secretário, ocorre em três etapas, sendo elas assistência humanitária, restabelecimento e plano de reconstrução.
“Sabendo quantas pessoas foram desabrigadas e afetadas, já é possível fazer um primeiro plano e um dimensionamento inicial. Esse plano precisa sair muito rápido da prefeitura", explicou. “Chegando em Brasília, conseguimos aprová-lo no mesmo dia e, em até três dias, o recurso já pode estar na conta do município para atender a população”.
Na fase inicial, o objetivo é garantir a proteção das pessoas e o atendimento das necessidades básicas. “Neste primeiro momento, a atenção é total às pessoas. É resgate, salvamento, retirada de áreas de risco e acolhimento em abrigos ou casas de parentes. Depois, entra o plano de assistência humanitária, com recursos para compra de cestas básicas, água, colchões, kits de higiene e limpeza, para que as famílias possam retomar suas casas”, afirmou.
Reparos e planos de reconstrução
Com a redução das águas, as equipes passam a avaliar os danos à infraestrutura. Quando os prejuízos são menores, entra o plano de restabelecimento, que inclui reparos emergenciais e limpeza urbana. “A gente também apoia o prefeito na retirada de lama, entulho e resíduos das ruas. É uma limpeza que precisa ser feita rapidamente, e o Governo Federal pode custear esse serviço”, destacou.
Já em casos de destruição mais severa, como deslizamentos e perda de estruturas, é acionado o plano de reconstrução. “Quando há destruição maior, como pontes ou casas, a gente constrói junto com o município o plano de reconstrução. No caso de moradias, é determinação que sejam construídas novas casas em áreas seguras e entregues gratuitamente às famílias que perderam tudo”, disse.
O secretário também alertou para a necessidade de respostas rápidas diante do cenário. “O mais importante é que tudo seja feito com agilidade, para atender a população no menor tempo possível”, reforçou.
Em 2025, o governo federal anunciou o envio de R$ 712 milhões para serviços de drenagem e obras de contenção de encostas em áreas de risco para 14 municípios do estado. Deste total, R$ 44,4 milhões foram previstos para Olinda.
Chuvas
As ações ocorrem em meio a um cenário crítico provocado pelas chuvas, que já deixaram quatro mortos, sendo dois no Recife e dois em Olinda, após deslizamentos de barreiras. Na capital, as vítimas foram mãe e filho, atingidos em Dois Unidos, na Zona Norte.
De acordo com a Defesa Civil de Pernambuco, há ainda 422 pessoas desabrigadas, 1.068 desalojadas e cinco feridos em decorrência dos temporais.
Segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), pelo menos seis municípios registraram mais de 180 milímetros de chuva nas últimas 24 horas. Os maiores acumulados foram em Abreu e Lima (199 mm), Goiana (196 mm), Paulista (189 mm), Camaragibe (187 mm), Olinda (184 mm) e Igarassu (183 mm). Recife também teve volume elevado, com 165 mm.
A previsão é de continuidade das chuvas ao longo do sábado (2), mantendo o estado de alerta para novos transtornos e ocorrências.