"Faltou luz e veio um estrondo horrível", relata moradora que teve casa destruída por queda de muro durante chuva
Mauricélia da Mata, de 45 anos, estava com os quatro filhos quando o muro da vizinha desabou sobre a sua casa, em Camaragibe, na Região Metropolitana, em meio à forte chuva desta quinta (23)
“Já estava assustada com os trovões, aí faltou luz e veio aquele estrondo horrível”, relembra a moradora do bairro de Santa Mônica, em Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife, que teve a sua casa atingida pelo desabamento de um muro na noite da quinta-feira (23).
“Foi aquela agonia no escuro, tentando achar o meu filho”, contou Mauricélia da Mata, de 45 anos, atingida nas costas por restos do muro.
No momento, ela estava na cozinha, preparando o jantar da família, e sofreu queimadura no ombro com a água fervente da cuscuzeira.
Mauricélia estava com os quatro filhos em casa na hora do desabamento. A filha, Maria Vitória, de 20 anos, levou uma pancada na cabeça e precisou levar ponto por conta do ferimento.
Mas poderia ter sido muito pior. “Estava no banheiro tomando banho para ir dormir quando ouvi o barulho e senti a pancada na cabeça”, relatou.
“Quando saí vi que minha cama estava toda destruída pelos tijolos do muro. Se estivesse dormindo na hora eu não teria escapado”, completa.
Outros três filhos, de 17, 19 e 21 anos, sofreram escoriações nas costas, ombro, perna e cabeça.
O marido de Mauricélia, Ovídio da Mata, voltava do trabalho quando recebeu a ligação da cunhada informando que um muro havia desabado sobre a sua residência.
Futuro
Após o enorme susto e os ferimentos, a família da Mata vive um outro drama. “Espero receber alguma ajuda do governo, da prefeitura, para poder pagar um aluguel”, comentou Mauricélia à reportagem do Diario.
“Somos seis, não temos como ir para casa de parentes”, justificou. “Perdemos tudo que tínhamos e não sabemos se vamos poder voltar a morar aqui novamente”.
Mauricélia contou que a parede do muro da casa da vizinha apresentava rachadura. “Eu fui com a dona da casa vizinha pedir a ajuda à Defesa Civil, mas não se resolveu nada”, alegou.
Defesa Civil
O secretário da Defesa Civil de Camaragibe, Coronel Luciano Fonseca, conversou com a reportagem do Diario de Pernambuco no local do desabamento.
Segundo ele, com a chuva de quase 70mm em Camaragibe na quinta-feira (23), o volume de água acumulada fez com que o muro não aguentasse a pressão e desabasse sobre a casa vizinha.
O secretário disse que foram tomadas medidas a fim de evitar novos transtornos no local.
“Estamos avaliando se existe a viabilidade desta casa voltar a ser habitada novamente”, explicou.
Sobre a rachadura preexistente na parede que desabou, ele comentou que a Defesa Civil fez recomendações na vistoria feita anteriormente no local.
“É preciso que a população entenda tudo não pode ser direcionado para o poder público. Se você tem uma propriedade, precisa manter o muro estável, identificar se há rachadura, trabalhar nessa rachadura, evitar juntar entulhos para não acumular água e aumentar a carga sobre o muro”, concluiu.