Adolescente morta em incêndio no Recife é sepultada; tio morreu ao tentar resgatá-la
Jovem de 17 anos foi enterrada em Paulista nesta quarta (22). Forte presença de amigos e familiares marcou a despedida morta na terça-feira (21)
A adolescente de 17 anos que morreu no incêndio que atingiu um prédio residencial na madrugada da terça-feira (21), na Rua Samuel de Farias, no bairro de Santana, Zona Norte do Recife, foi velada e sepultada na tarde desta quarta-feira (22), no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, no Grande Recife. O tio dela, o arquiteto Gustavo Cauás, de 46 anos, também vítima do incêndio, foi enterrado ainda na terça-feira (21).
No momento em que o fogo começou, a jovem estava no apartamento com o pai e os animais de estimação. As chamas tiveram início no apartamento 304, no 3º andar do Bloco A do Edifício Vivenda Casa Forte. Gustavo Cauás, que morava no primeiro andar do prédio, subiu até o imóvel para tentar resgatar a sobrinha, mas não conseguiu sair e morreu no local. As causas do incêndio ainda serão investigadas.
Durante a despedida, familiares, amigos e vizinhos prestaram homenagens à adolescente e destacaram o perfil afetuoso da jovem. “Era uma menina muito pura, alegre, trazia muita luz para as pessoas ao redor. Tudo o que se propunha a fazer, fazia com energia, determinação e leveza”, disse uma familiar que preferiu não se identificar.
A adolescente cursava o 3º ano do ensino médio no Colégio Casa Forte, onde estudava desde 2024. De acordo com a diretora da instituição, Isabel Azevedo, a estudante era participativa e mantinha boa relação com colegas e professores. “Uma pessoa doce, muito amigável e batalhadora. Enfrentava os desafios e sempre superava as expectativas. Era muito querida e vai deixar saudades”, afirmou.
Colegas de turma também lembraram da convivência com a jovem. “Ela era extrovertida, gentil e sempre tratava todos bem. Nunca falava mal de ninguém. Era muito querida pelos professores”, relataram dois estudantes. Um deles disse ainda ter dificuldade em lidar com a perda. “Eu vi o que tinha acontecido, mas não acreditei que fosse ela. A gente convivia todos os dias. Não sei como serão as aulas sem ela”, disse.
De acordo com a Defesa Civil do Recife, o incêndio começou no 3º andar do Bloco A. O apartamento onde as chamas tiveram início e o imóvel vizinho foram interditados. Após uma nova vistoria realizada ainda na terça-feira (21), todo o 3º andar e parte do 4º também foram interditados devido ao desprendimento de gesso e do revestimento no teto dos corredores da escada de acesso.
O Corpo de Bombeiros informou, em nota, que cinco viaturas e 14 militares foram enviados para a ocorrência. As equipes conseguiram controlar o fogo e realizaram buscas no interior do imóvel, onde localizaram os corpos das vítimas e dos animais. A corporação também manifestou solidariedade aos familiares.