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Homenagens e indignação marcam velório de casal morto em desabamento de muro na comunidade do Pilar, no Recife

Familiares e moradores da comunidade pedem providências durante despedida de Simone de Oliveira e Fabiano Araújo, mortos na última segunda-feira

Por Adelmo Lucena

Velório e enterro das vítimas do desabamento na Comunidade do Pilar

O velório de Simone Maria de Oliveira, de 53 anos, e de Fabiano Lourenço de Araújo, de 45, foi marcado por comoção e por um ato de protesto na tarde desta terça-feira(7), no Cemitério de Casa Amarela, na Zona Norte do Recife. Eles foram vítimas do desabamento ocorrido na noite da segunda-feira (6) na comunidade do Pilar, no Bairro do Recife.

Familiares, amigos e moradores se reuniram para prestar as últimas homenagens em memória do casal e cobrar providências diante do acidente.

Durante a cerimônia, o clima foi de dor e também de mobilização. Moradores aproveitaram o momento para chamar atenção para os riscos enfrentados por quem vive na área, especialmente após o desabamento de parte do paredão de um prédio histórico na Rua do Ocidente, que atingiu casas construídas de forma improvisada. A tragédia deixou duas pessoas mortas e outras duas feridas.

Irmão de Simone, André Oliveira, de 42 anos, relembrou a personalidade da vítima e lamentou a forma como tudo aconteceu. “Isso é uma tragédia. Infelizmente, tem que acontecer uma tragédia para o poder público tomar as providências necessárias. Não é a primeira vez que a gente bate nessa mesma tecla”, afirmou.

Segundo ele, Simone era conhecida pela alegria e facilidade de fazer amizades. “Era uma pessoa alegre, divertida, e em todo lugar onde ia fazia amizade. Todo mundo que conhecia ela sabe disso, sempre foi muito extrovertida. Ela sempre estava, hora ou outra, na casa dos meus pais. Sempre estava falando com a gente”, disse.

Simone e Fabiano trabalhavam juntos, fazendo pequenos serviços, como cuidar de carros. De acordo com o irmão, ela era uma pessoa batalhadora. “Ela nunca ficava parada, sempre criava algo a mais para fazer, sempre correndo atrás”, lembrou.

A lembrança, no entanto, é marcada pela dor e pela cobrança por mudanças. “A memória que fica é uma dor. Pela forma como foi, fica também a indagação para mostrar ao poder público que não aconteçam mais tragédias como essa. Não precisa que famílias sejam destruídas para que atitudes sejam tomadas”, desabafou.

Familiares também relataram que Simone tinha o desejo de deixar o local onde morava, o que reforça o sentimento de revolta entre os moradores.

O irmão de Fabiano, Jamesson Lourenço de Araújo, de 42 anos, relatou a dor da perda e a revolta com a situação enfrentada pela comunidade. Segundo ele, o casal estava junto há mais de duas décadas. “Perdeu uma vida… duas vidas, na verdade. Esse tempo todinho ela com ele, mais de 20 anos”, lamentou.

Ainda segundo Jamesson, dificuldades financeiras podem ter contribuído para que o casal permanecesse na área. Ele contou que o cunhado teria perdido o benefício social que recebia, o que agravou a situação.

O familiar também contou que foi informado do desabamento por um amigo e seguiu até o local ainda durante a noite. Ele destacou que anualmente o período chuvoso traz tragédias e que a dor de perder o irmão é indescritível. “Perdi meu irmão, perdi minha cunhada. Agora é seguir a vida”, complementou.

O desabamento

O desabamento ocorreu por volta das 21h, durante uma noite de forte chuva na cidade. Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que “foi finalizada a ocorrência de desabamento de edificação”.

Ao todo, oito viaturas foram mobilizadas na operação, que contou com o apoio de órgãos parceiros. Ainda segundo a corporação, após uma varredura completa da área, não foram encontradas novas vítimas.

 

Além dos bombeiros foram acionados o Samu, Polícia Militar, Neoenergia, Defesa Civil e IML.