Influenciadora presa por forjar sequestro mantinha relacionamento com homem que também foi detido, diz a Polícia Civil
Conforme o delegado Jorge Pinto, além de manter relacionamento com suspeito, as contradições nos depoimentos levaram a Polícia Civil de Pernambuco a desvendar a farsa do sequestro
A descoberta de um relacionamento prévio entre a influenciadora digital Monniky Daiany Alves de Fraga Caldas e um dos suspeitos, aliada a contradições nos depoimentos, foi determinante para que a Polícia Civil de Pernambuco desvendasse a farsa do suposto sequestro.
Os detalhes da operação foram apresentados na manhã desta terça-feira (24) pelo delegado Jorge Pinto, do Grupo de Operações Especiais (GOE), e pelo adjunto Clei Anderson.
O caso veio à tona em abril de 2025, quando a influenciadora denunciou ter sido sequestrada ao chegar em casa, na Região Metropolitana do Recife.
Segundo o relato, ela e o então companheiro, Lucas Vieira, foram abordados por homens armados, colocados à força em um veículo e levados para um suposto cativeiro. Horas depois, ambos foram liberados.
Relação com suspeito
De acordo com o delegado Jorge Pinto, responsável pelo caso, o ponto de virada da investigação foi a descoberta da ligação entre a influenciadora e um dos suspeitos.
“A gente descobriu que eles mantiveram um relacionamento prévio e, posteriormente à data dessa encenação, eles mantiveram contato, o que fez com que a gente detectasse a mentira na história que foi tramada”, afirmou, referindo-se a Denner José da Silva.
Além disso, os depoimentos passaram a apresentar inconsistências.
“Aquilo que a gente pensava se tratar de um sequestro real, na verdade, tudo passou de uma trama. Há uma forte convergência de indícios de que a própria vítima teria sido a mentora intelectual”, disse o delegado.
A polícia afirmou que o cruzamento de informações e provas técnicas reforçou a suspeita. “Além das contradições, tivemos ferramentas que nos direcionaram para o descobrimento da farsa”, completou.
Como a farsa foi encenada
As investigações indicam que o falso sequestro seguiu um roteiro para parecer real.
A influenciadora e o companheiro foram abordados em 21 de Abril de 2025, por pelo menos três homens em um veículo clonado, na porta da residência dela.
Eles foram levados para uma área de mata, onde permaneceram por um curto período, apenas para dar veracidade à história.
O companheiro, sem ter conhecimento da encenação, chegou a ser agredido e teve pertences roubados.
Segundo o delegado, enquanto a trama acontecia, a mãe da influenciadora recebia ligações e áudios com ameaças, sendo induzida a realizar transferências via Pix para uma conta indicada pelos suspeitos.
Esta conta estava vinculada a um investigado no estado de São Paulo, alvo de mandado de busca e apreensão.
“Embora não exista extorsão mediante sequestro, o crime de extorsão está configurado”, explicou Jorge Pinto.
Operação e prisões
Na manhã desta terça (24), a Polícia Civil deflagrou a operação “Cortina de Likes”, que cumpriu dois mandados de prisão preventiva e dois de busca e apreensão, incluindo diligência no estado de São Paulo.
A influenciadora foi presa em casa, no município de Igarassu, no Grande Recife.
O segundo mandado foi contra Denner José da Silva, apontado como coautor da trama e participante direto da execução do plano. Ele já estava detido no Presídio de Igarassu por outro crime, com mandado de prisão relacionado a homicídio.
Um terceiro envolvido identificado foi Caio Barbosa, responsável por dirigir o carro utilizado na ação.
Ele foi assassinado dias antes do cumprimento dos mandados, em frente a um condomínio no município de Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife.
Segundo a polícia, o homicídio não tem relação direta com o caso investigado.
A polícia ainda apura a participação de um quarto indivíduo, que não foi identificado até o momento, mas que teria atuado diretamente na abordagem das vítimas.
Motivação e alerta
De acordo com os investigadores, a principal motivação seria o ganho de visibilidade nas redes sociais.
Segundo Jorge Pinto, a influenciadora estaria em baixa e teria tentado alavancar engajamento com a repercussão do caso, inclusive concedendo entrevistas durante o período em que alegava ter sido vítima.
Para a Polícia Civil, o episódio serve como alerta.
“É importante que isso tenha um efeito de persuasão negativa, para que as pessoas não voltem a cometer esse tipo de conduta”, afirmou Clei Anderson.