"Serve como alerta", diz advogado de suspeito sobre ataque em escola de Barreiros
Trêsadolescentes ficaram feridas após o ataque. Defesa afirma que jovem sofria bullying há três anos e aguarda decisão da Justiça sobre possível internação
O advogado que atua na defesa do jovem que atacou três alunas da Escola de Referência em Ensino Fundamental (Eref) Cristiano Barbosa e Silva, em Barreiros, na Zona da Mata Sul, classificou a situação como “extremamente delicada”. O ataque aconteceu na manhã desta segunda-feira (16) antes mesmo do início das aulas e deixou uma aluna hospitalizada.
“Isso serve como um alerta, como utilidade pública, para que todos os jovens, toda a família, inclusive responsáveis pela tutela e guarda dessas crianças e adolescentes, possam de fato fiscalizar, observar os jovens e os adolescentes: como é que está o comportamento, frequentar realmente a escola, saber como é que está o comportamento deles na escola e participar das reuniões de pais”, alerta o advogado Gabriel Sena.
Em entrevista ao Diario de Pernambuco, a defesa voltou a destacar que a motivação do ataque é uma reação a práticas de bullying sofridas pelo jovem que se perpetuou por três anos.
“Existiam, sim, esses indícios [de bullying]. Inclusive foram repassados para a própria coordenação da escola. Houve uma conversa preliminar em busca de uma solução. Todavia, os atos e as práticas de bullying retornaram recentemente, até que infelizmente chegamos a essa trágica situação”, complementa o advogado.
Ele ainda afirmou que a família do jovem está abalada, mesmo cientes das práticas de bullying. “Os familiares estão bem abalados, sobretudo se tratando de algo que era inesperado. Inclusive, já vinham acompanhando as queixas em relação a essas práticas de bullying. Fizeram uma reunião junto com a coordenação, foi comunicado todo o fato.”
Após as agressões, o adolescete foi encaminhado para outra cidade por questões de segurança. Agora, a família e a defesa aguardam a decisão da Justiça para saber se ele será internado ou se poderá voltar para o convívio familiar.
“Conforme foi informado, já houve a reunião com o representante do órgão ministerial e, no momento, estamos aguardando a decisão para que possamos ter ciência se realmente haverá uma internação provisória ou uma assinatura de compromisso para devolução aos pais responsáveis”, diz Gabriel Sena.
A defesa ainda chamou atenção para o papel do Estado para prevenção de ocorrências de bullying nas escolas. “Medidas são necessárias, políticas públicas precisam ser inseridas para que realmente possamos evitar e, pelo menos, inibir [os casos de bullying] para que possa ser apenas uma mazela a ser superada.”
Vítima precisou ser transferida
Uma das vítimas do ataque precisou ser transferida para o Hospital da Restauração (HR), na área central do Recife. A menina de 14 anos passará por exames para investigar uma possível lesão na coluna decorrente da facada que recebeu no local.
Ela apresentou formigamento nas pernas e dificuldade de levantar a perna esquerda, o que pode representar uma lesão medular.
Já as outras duas vítimas, que foram atingidas nas costas, receberam alta depois de passar por suturas.