° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Chacina de Poção: último réu é condenado a mais de 100 anos por matar conselheiros tutelares e idosa

Crime aconteceu em 2015, na cidade localizada no Agreste pernambucano. Segundo o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Conselho de Sentença da 4ª Vara do Tribunal do Júri da Capital condenou Leandro José da Silva.

Por Diario de Pernambuco

Martelo da Justiça garantiu direito a uma vítima de acidente

A Justiça pernambucana condenou o último réu envolvido no crime que ficou conhecido como “a Chacina de Poção”.

Na ação, que ocorreu no município, no Agreste do estado, foram executados três conselheiros tutelares e uma idosa.

Segundo o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), na segunda (9), o Conselho de Sentença da 4ª Vara do Tribunal do Júri da Capital condenou Leandro José da Silva.

Ele pegou 101 anos e 4 meses de reclusão pela prática de quatro homicídios qualificados com base nas seguintes premissas: crime mediante pagamento, mediante emboscada e para assegurar a impunidade de outro crime, além de ter sido praticado por grupo de extermínio.

Ao final do julgamento, a magistrada Maria Segunda Gomes de Lima determinou a execução imediata da pena, com a emissão de mandado de prisão e condução do réu para unidade prisional.

“Foram 11 anos de espera. Durante todo esse tempo, familiares das vítimas e toda a população de Poção esperavam o desfecho desse caso. Como Promotora de Justiça de Poção que fui, senti-me compelida a contribuir com esse resultado, senti que devia àquela que foi a minha primeira comarca o clamor pela Justiça e nenhum lugar é mais simbólico que o plenário do Júri para isso”, ressaltou a promotora de Justiça Themes da Costa, que atuou no julgamento em conjunto com os promotores de Justiça Sandra Lapenda e Daniel de Ataíde Martins.

Daniel de Ataíde, por sua vez, reforçou que o resultado desse julgamento é um fechamento de ciclo, “principalmente para as famílias que viveram a dor do luto e hoje podem, ao menos, tentar superá-lo com a Justiça que foi feita ao longo dos quatro julgamentos dos sete acusados na 4ª Vara do Júri da Capital”.
Ainda segundo ele, as condenações trazem respostas à altura da gravidade dos crimes cometidos contra os conselheiros tutelares, categoria que tem atuação destacada na proteção dos Direitos Humanos

Relembre o caso

A chacina aconteceu em 6 de fevereiro de 2015. O carro do conselho tutelar foi interceptado numa emboscada que resultou na execução dos conselheiros tutelares Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos, José Daniel Farias Monteiro e Carmem Lúcia da Silva e Ana Rita Venâncio, avó materna de uma criança de 3 anos de idade, que também estava no interior do veículo.

As investigações indicaram que o crime teria sido encomendado pela avó paterna da criança, Bernadete de Britto Siqueira, que contratou integrantes de um grupo de extermínio para eliminar a família materna e garantir a guarda de fato da menina.

Outros julgamentos

No dia 27 de fevereiro de 2024, ocorreu o primeiro julgamento de um dos executores dos crimes, Welington Silvestre Dos Santos.

Ele foi condenado inicialmente a 74 anos e 8 meses de reclusão, tendo sua pena sido majorada para 116 anos pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco.

Os réus Egon Augusto Nunes de Oliveira, Orivaldo Godê de Oliveira e Ednaldo Afonso da Silva, que compõem o núcleo executor dos homicídios, foram julgados pelo Tribunal do Júri em 11 de dezembro de 2025.

Em fevereiro deste ano, foi concluído o julgamento de Bernadete de Lourdes Britto Siqueira Rocha e José Vicente Pereira Cardoso da Silva, apontados respectivamente como o mandante e o articulador da trama criminosa.