Homem é preso acusado de matar companheira com cabo de carregador e alegar suicídio no Grande Recife
Vítima era natural do Piauí e se mudou para morar com o suspeito após se conhecerem nas redes sociais
Um homem, identificado como José Diogo de Mates, de 32 anos, foi preso em flagrante pelo feminicídio da companheira, Tailana Moura Silva, de 36 anos, em Araçoiaba, na Região Metropolitana do Recife (RMR), na sexta-feira (27). José Diogo levou a mulher até uma unidade de saúde da cidade, onde teria ameaçado o médico para que registrasse o caso como suicídio.
Segundo a Prefeitura de Araçoiaba, a mulher já estava morta quando deu entrada na Unidade Mista do município.
Tailana foi levada à unidade duas vezes naquela manhã. "Às 5h, ela é socorrida com cólica menstrual, sem nenhuma lesão. Às 7h, tem outro socorro, quando ela já chega morta", diz ao Diario de Pernambuco o delegado Alaumo Lima, que deu início às investigações.
O acusado teria exigido que o médico atestasse suicídio, caso não quisesse ser prejudicado. "Ele exigiu que o médico emitisse um documento, um laudo de óbito com suicídio. Disse que o pai trabalhava na prefeitura", conta o delegado.
O médico desconfiou do homem porque a mulher também tinha lesões no corpo e nos braços, além de um hematoma no pescoço.
Em depoimento, o médico disse que se sentiu coagido a fazer um procedimento que não era correto. Ele também disse que José Diogo estava muito agitado, "empurrando as portas das salas de atendimento, dando murros e chutes na mesa".
Segundo o delegado, familiares do homem apresentaram contradições sobre as condições em que a mulher havia sido encontrada. Uma das pessoas teria dito que Tailana estava com um cabo de carregador enrolado no pescoço.
"Chegamos lá e os cabos do carregador estavam na maçaneta da porta do quarto", diz o delegado.
A suspeita é que o homem tenha tentado simular o suicídio da companheira. Segundo o delegado, ele foi autuado por feminicídio e por violação de local de crime. Lima também representou pela prisão preventiva do homem, que negou a autoria do crime.
"Para dar uma concretude de autoria, motivação e dinâmica, vão ser necessários laudos periciais", completa o investigador.
Interrogado, José Diogo respondeu que Tailana reclamava dele, relatando ciúmes por ele chegar tarde em casa.
Após levá-la à unidade de saúde com dores menstruais, ele conta que os dois dormiram. "O interrogado acordou e percebeu que Tailana estava morta ao seu lado", diz o interrogatório do acusado obtido pelo Diario.
José Diogo tinha marcas de unha nos antebraços, o que seria indício de uma briga em que a vítima teria oferecido resistência.
A mulher era natural de Luzitânia, no Piauí. Segundo o acusado, eles se conheceram nas redes sociais há cerca de cinco meses e ela se mudou para morar com ele.