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Volume de água recuperado pela Compesa em ação contra furto em 2025 daria para encher 80 mil caminhões-pipa por mês

Informação foi repassada pelo diretor-presidente da Comerpsa, Douglas Nóbrega, em entrevista ao Diario. Segundo ele, foram 40 ações no ano passado e a meta é dobrar a quantidade em 2026

Por Diario de Pernambuco

Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa)

Entre janeiro e dezembro de 2025, a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) realizou 40 operações para combater o furto de água no estado.

Nessas ações, a companhia evitou a perda de água para o abastecimento da população e um volume que daria para encher 960 mil caminhões-pipa, ao longo de 12 meses.

Os dados foram divulgados pelo diretor-presidente da Compesa, Douglas Nóbrega, em entrevista ao Diario, na segunda (23).

Ainda segundo Nóbrega, a quantidade recuperada foi de 350 litros por segundo, o que equivale a 80 mil caminhões-pipa por mês, cada um, em média, com 10 mil litros.

O diretor-presidente da companhia informou, ainda, que a meta é dobrar o número de operações em 2026. Segundo o presidente da Compesa, as operações de resgate foram feitas em parceria entre as forças de segurança do Estado – Secretaria de Defesa Social, Polícia Militar e Polícia Civil.

“Estamos duplicando a área de segurança patrimonial, compramos equipamento de detecção de tubulações, por exemplo, Javadar. Fizemos um convênio com a SDS, Polícia Militar e Polícia Civil, que tem sido enorme. Temos agora um equipamento específico para isso. É trabalho de ação de campo e trabalho de inteligência com a polícia. Vamos atacar muito isso aí (perdas d’água), porque o ganho é enorme”, explicou.

Perdas

Ainda conforme Nóbrega, Pernambuco tem por volta de 50% de perda de água durante a distribuição. O valor ainda é abaixo da meta de 25% estabelecida pelo Novo Marco Legal do Saneamento Básico (Lei nº 14.026/2020), regulamentado pela Portaria nº 490/2021 do Ministério do Desenvolvimento Regional.

Nóbrega pontuou que as perdas serão contempladas com a concessão da Compesa, que já terá contrato assinado em março.

“A redução de perda é um trabalho gigante que as concessionárias vão fazer e a Compesa já está fazendo. Hoje a gente tem aqui 50%, quase 48% de perda. Tanto a Compensa quanto as concessionárias vão ter que reduzir perdas, porque é a questão de sobrevivência. A meta hoje é no máximo 25%. Só que pouquíssimas cidades no Brasil têm esse índice”, detalhou.

Concessão

A assinatura da concessão da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) deve ser assinada no próximo dia 27 de março. A transição das operações de abastecimento hídrico e saneamento básico para as empresas vencedoras do leilão de concessão parcial da corporação, em dezembro de 2025, deve acontecer em seis meses.

As empresas estão divididas em dois lotes: um da Região Metropolitana e um do Sertão. As corporações ficarão responsáveis pelos serviços de distribuição de água tratada e esgotamento sanitário de dois blocos: MRAE Sertão, que reúne 24 cidades, e RMR Pajeú, com 150 municípios, além de Fernando de Noronha.

“São dois lotes, um da RMR e Pajeú e outro do Sertão. São 175 municípios, um lote é composto por 25 municípios, e foi vencido pelo grupo Patria, um grande investidor de infraestrutura do Brasil. O outro foi vencido por um consórcio entre a BRK e o grupo Acciona, que é um dos maiores investidores do mundo. BRK já está em água e infraestrutura hoje na Região Metropolitana fazendo esgoto”, explicou Nóbrega.

Os grupos vão investir, juntos, R$ 19 bilhões na distribuição de água e na coleta e tratamento de esgoto. Compesa continuará sendo responsável pela produção e tratamento de água.

“Essas empresas têm R$ 20 bilhões que devem ser investidos em água e saneamento na parte de distribuição. A grande expectativa é que as redes de distribuição nas cidades sejam ampliadas. Esse é o foco da concessão. E aí depende da demanda em cada cidade da rede”, acrescentou o presidente da Compesa.

Nóbrega garantiu, ainda, a manutenção de funcionários e servidores: “É um processo onde vai haver zero demissões. A empresa continua pública, todo quadro funcional preservado”.

Entregas

Douglas Nóbrega ainda destacou que a Compesa está trabalhando para entregar o abastecimento da Adutora do Agreste até Gravatá antes da Semana Santa, que tem início em 29 de março. Outras entregas estão previstas para os meses subsequentes.

“Se não for entregue antes da Semana Santa, vai ser logo após. Logo na sequência, também, em abril, tem São Bento do Una que vai receber da Adutora do Agreste, Brejo da Madre de Deus, Toritama é provável chegar em março também. Chegando lá, a gente vai andar para Casinhas, até Surubim, com a água de Toritama, bombeando do sentido inverso. Têm cinco cidades para serem atendidas. Estamos testando essa inversão de Caruaru também, com a Adutora do Agreste, que vai para Riacho das Almas, Ameixas, Cumaru e Passira. Também já está bombeando, não está chegando porque detectamos vários desvios de água.

Só no Recife, são 27 obras em andamento, revela Nóbrega. Os investimentos, segundo ele, são de cerca de R$ 1 Bi. Para áreas de Morro, que ainda lidam com problemas no abastecimento, a Compesa diz ter dois grandes projetos, um deles, com previsão de entrega para julho, que prometem melhorar o abastecimento hídrico.

“Em áreas de Morro, um projeto chamado de Alça Norte, que a gente está fazendo, que pega ali o Detran, a parte da BR, já em execução. O “Morros da Zona Norte”, que contempla Casa Amarela, Alto José do Pinho, Alto José Bonifácio, Nova Descoberta, Corrégo do Jenipapo, tudo. Tem um projeto ali de mais de 45 milhões em execução, com previsão de concluir até o meio do ano. A gente já vai fazendo entregas parciais, já deu uma melhorada, inclusive no Morro da Concessão”, explicou.

Para o Sertão, o projeto da Adutora de Negreiros foi licitado e deve ter ordem de início em breve.

“Para o Sertão, licitamos há pouco a Adutora de Negreiros, vamos dar ordem de início agora em março também, que é uma Adutora de 82 quilômetros, que vai beneficiar a região ali de Arapiraca, com investimento de R$ 300 milhões. É um investimento antigo que agora vai ser concretizado. A licitação foi concluída, o contrato já foi assinado”, anunciou Douglas.

Investimentos e gestão

A meta financeira, segundo Nóbrega, é de investir cerca de R$ 1,3 bi, R$ 1,5 bi neste ano. Sobre o ritmo de entregas, ele destacou o andamento dos serviços: "No início desta gestão, a gente tinha na Compesa 58 obras paradas. Hoje as obras têm um andamento e a gente tem hoje um pacote de 268 obras em andamento".