"Imagens não mostram o que aconteceu antes", diz secretário sobre denúncias de violência policial no Carnaval
Secretário de Defesa Social, Alessandro de Carvalho, comentou, nesta quarta (19), sobre denúncias de violência policial no Carnaval
O secretário de Defesa Social, Alessandro de Carvalho, comentou sobre denúncias de violência policial durante o carnaval que viralizaram nas redes sociais, entre os dias 12 e 18 de fevereiro. Segundo declaração dele nesta quinta (19), as imagens publicadas “mostram o momento da intervenção, não mostram o que aconteceu antes”.
Um dos casos de maior repercussão envolveu o rapper Djonga, que denunciou, na quarta-feira (18), agressões de policiais militares contra o público que assistiu ao show dele no festival Rec-Beat, na noite de terça (17). Questionado sobre como a SDS recebeu a denúncia, Carvalho pontou que tomou “conhecimento dos fatos”, e que policiais que cometeram excessos responderão por isso.
“O governo do estado, a Secretaria, a Polícia Militar, não compactuam com nenhum tipo de excesso ou violência. Para casos, por exemplo, como o Rec-Beat, assim que eu soube, determinei a corregedoria da Secretaria de Defesa Social que instaurasse um procedimento. Nós vamos apurar como sempre fazemos para entender o que ocorreu e se houve excesso, se não há uma justificativa, o policial vai responder por esse excesso. Porque a força tem que ser utilizada até cessar uma agressão que esteja ocorrendo”, disse.
O Diario conversou com um jovem de 27 anos que relata ter sido agredido sem motivos por policiais militares, durante o show de Djonga, na terça (17). O jovem afirma que não houve discussão ou qualquer tipo de briga no momento. “Olhei o sangue escorrendo e abri os braços tentando entender o motivo. Ninguém estava fazendo nada ilícito. Não existe justificativa para isso”, relembrou.
Nesta quinta (19), ele esteve, acompanhado do advogado, na Corregedoria, fez exame de corpo de delito no IML e prestou Boletim de Ocorrência na delegacia. Segundo a vítima, ele levou uma pancada de cassetete na testa enquanto participava de uma roda aberta pelo artista durante a apresentação, o que resultou em um corte profundo e sete pontos.
De acordo com o relato, a agressão aconteceu quando o cantor pediu para que o público abrisse uma roda para brincar: “Eu era um deles e, enquanto estava pulando, me esbarrei com um policial que vinha por trás. A roda estava aberta e ele invadiu. Quando me esbarrei, ele se afastou e deu um cacetete na minha testa. Levei sete pontos”, contou.
O tradicional bloco carnavalesco “Eu Acho é Pouco”, também emitiu uma nota de repúdio, pontuando, abordagens truculentas de policiais militares. “Em nossa histórica trajetória, nunca presenciamos confusão entre os foliões. Nossa tradição sempre se sustentou na partilha e no respeito. Justamente por isso, os episódios ocorridos na última saída, nesta terça-feira de carnaval, nos obrigam a vir a público para denunciar a violência e repudiar excessos de quem tem o dever de proteger.
Ainda conforme o texto, um grupo de policiais “protagonizou uma cena de violência física contra duas mulheres foliãs. Um ato injustificável, revoltante e incompatível com a função pública de proteção, em especial em um ambiente de celebração e vulnerabilidade como é o Carnaval de rua”.
Procurada pelo Diario de Pernambuco, a Polícia Militar se manifestou sobre as denúncias por meio do BPTur (Batalhão de Policiamento Turístico). Em nota, a corporação informou que, de acordo com o histórico do boletim de ocorrência, a equipe policial interveio inicialmente para cessar uma "ocorrência de vias de fato envolvendo diversos indivíduos" que estariam cercando a patrulha que atendia a situação no local.
Segundo a PM, foi necessário o uso "moderado e progressivo da força" para conter o tumulto, garantir a integridade física da equipe e realizar a prisão de um indivíduo que resistia ativamente. Uma pessoa foi conduzida por desacato e resistência.
A nota ressalta ainda que qualquer cidadão que se sentir prejudicado por ações ou atos de um policial militar pode recorrer às esferas correcionais através da Corregedoria-geral ou da própria corporação. A Polícia Militar destacou que já foi instaurado procedimento cabível na Corregedoria para apuração do caso.
Já a organização do Rec-Beat também publicou uma nota sobre o ocorrido. “O Festival Rec-Beat vem a público manifestar seu veemente repúdio aos atos de violência praticados por agentes de segurança pública após o show do artista Djonga, realizado na noite de 17 de fevereiro, apresentação que marcou o encerramento da edição histórica de 30 anos do festival”.