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Carnaval 2026: Galo Gigante já reina sobre o Recife

Subida da escultura de 32 metros reuniu milhares de foliões

Por Adelmo Lucena

Galo Gigante já reina sobre a Ponte Duarte Coelho

O Galo Gigante 2026 começou a reinar, nesta quinta-feira (11), sobre o Recife. A escultura com 32 metros de altura e pesando 8 toneladas ficou de pé sobre a Ponte Duarte Coelho às 19h.

A subida do Galo atraiu os olhares de milhares de foliões na Ponte Duarte Coelho. A cerimônia marca o início do carnaval e contou com muito frevo e foliões fantasiados para homenagear um dos principais símbolos carnavalescos.

Participaram da programação Getúlio Cavalcanti, Bloco das Ilusões, Canindé do Recife, Clarins de Ouro de Pernambuco, Orquestra Som Brasil, Trio Som Brasil e a Cia de Dança Perna de Palco. O Galo permanece na ponte até o domingo posterior ao carnaval, em 22 de fevereiro, como ponto de visitação e registro de foliões.

“A subida do Galo Gigante virou uma tradição. Antigamente o Galo subia até a madrugada e as pessoas não viam. Agora ele sobe na quarta-feira à noite e fica durante todo o carnaval como uma espécie de círculo da grande faixa democrática do carnaval. Vamos aplaudir o maior carnaval do Brasil, que é o do Recife”, afirmou o prefeito João Campos.

Foliã desde pequena, a autônoma Fátima Correia, de 42 anos, não deixa de apreciar o Galo Gigante desde 2000. “Gosto muito do Galo Gigante. Estar aqui é uma forma de homenagear Galo, que atrai milhões e milhões de foliões aqui para Pernambuco. Então eu faço um convite a todos os turistas, a todos aqueles que nunca viram a maior festa do mundo, que é o Galo da Madrugada: venham conhecer”, registrou.

Além dela, outro folião que estava na grade para ver de perto a subida foi Marcos Marcelino Gomes, que diz nunca perder a subida da estrutura. “Há mais de 40 anos que participo. O carnaval é uma paixão para mim. Viva a vida e viva o frevo. Onde se faz o maior carnaval do mundo é em Pernambuco. E o Galo deste ano está a coisa mais linda do mundo”, afirmou.

Neste ano, a escultura tem 32 metros de altura e cerca de oito toneladas. Com o tema “Galo Folião Fraterno”, a alegoria homenageia duas personalidades ligadas à defesa da justiça social, sendo elas o arcebispo emérito de Olinda e Recife, Dom Helder Camara, e a médica psiquiatra Nise da Silveira. A obra foi criada pelo multiartista Leopoldo Nóbrega em parceria com a designer Germana Xavier.

Homenagem

Dom Helder Camara, um dos principais homenageados, manteve forte vínculo com o Recife e com as manifestações culturais da cidade. Era comum que blocos carnavalescos buscassem sua bênção durante as prévias, na Igreja das Fronteiras, onde viveu até morrer, em 1999. A mensagem de fraternidade associada ao religioso inspirou a proposta da alegoria, que destacou valores como paz, diálogo e esperança.

A construção do Galo incorpora materiais reaproveitados e recursos tecnológicos. A perna da estrutura recebeu mosaicos produzidos com lonas e tecidos descartados, utilizando a técnica de upcycling. O trabalho envolveu artesãos e parceiros, resultando em diferentes composições visuais.

A alegoria também traz biojoias desenvolvidas coletivamente por mestras artesãs e integrantes da comunidade. As peças utilizam conchas marinhas, redes de pesca e outros materiais reaproveitados, em um processo manual que abordou a relação entre meio ambiente, resíduos e cotidiano urbano.

Redes de pesca descartadas foram aplicadas na indumentária como camada estética adicional, com conchas fixadas sem perfuração para criar textura e volume. Tampinhas, vidros e outros resíduos geraram efeitos visuais, incluindo a representação da chama do coração do Galo.

Entre os elementos tecnológicos, destacaram-se estrelas produzidas por impressão 3D. O projeto envolveu crianças e jovens da comunidade que trabalham com robótica e programação.