Galo Gigante recebe Coração Fraterno de Dom Helder Câmara e está pronto para subir
Escultura do Galo Gigante homenageia Dom Helder Câmara, arcebispo emérito de Olinda e Recife, conhecido por sua generosidade e amor aos mais vulneráveis. O Coração Fraterno é a parte que faz referência direta ao Dom da Paz
O Galo Gigante recebeu o Coração Fraterno de Dom Helder Câmara na noite desta quarta (10), e finalmente está pronto para ficar de pé na Ponte Duarte Coelho, no Centro do Recife. A peça foi levada em um cortejo que saiu do convento franciscano de Santo Antônio, na Rua do Imperador, e foi colocada no peito do Galo pelo artista e responsável pela escultura, Leopoldo Nóbrega.
O designer destacou o conceito que envolve a homenagem a Dom Helder, o legado dele e esta representação visual. “É uma obra que traz muito uma dimensão humanista, por isso mesmo Dom Helder é presente sempre e sobretudo uma arte contemporânea, porque dialoga com as nossas necessidades, conflitos, oportunidades. O Galo Gigante é essa dimensão do imaginário mesmo, da arte popular, da alegria. E como diria Dom Helder: ‘Brinquem meu povo querido’. É uma mensagem que fica exatamente porque ser feliz não é pecado. É um trabalho que ajuda realmente a integrar as pessoas, acho que isso é o que a gente precisa fazer”, disse Leopoldo.
Confecção
O coração foi feito pelo artista plástico e um dos mais antigos funcionários da Companhia Editora de Pernambuco (CEPE), Júlio Gonçalves, de 86 anos, sendo 53 destes dedicados ao trabalho na empresa. Júlio cria esculturas e painéis artísticos utilizando aparas e fragmentos de papel que sobram da produção gráfica da editora. Ele idealizou o projeto Galeria Reciclada, transformando resíduos em arte, valorizando a sustentabilidade e a criatividade.
Ao Diario de Pernambuco, ele explicou a inspiração para confeccionar o artefato, que tem um metro de altura, um vermelho vibrante e detalhes únicos. “Quando fui comunicado que a minha missão é confeccionar o coração que arremete a Dom Helder, me senti à vontade para me inspirar no Sagrado Coração. Aquela chama ali era bem o que movia Dom Helder, chama da caridade e fraternidade. Depois Leopoldo complementou um pouco”.
Para produzir a peça, Júlio contou que utilizou uma técnica desenvolvida por ele mesmo há cerca de 10 anos. “A técnica é minha e eu fui escolhido por essa técnica. Quando os livros da CEPE vão ser encadernados, entram num trilho na máquina encadernadora. Desce uma serrilha e serra a lombada do livro. Nessa ação da máquina, é produzido um fragmento de papel. São bem pequenininhos e outra parte é quase pó. É parecido à textura de do coco rolado. Então, eu comecei a fazer teste, e deu numa massa bem plástica, gostosa de trabalhar. Tem água, tem cola, tem outros elementos que fui descobrindo e a massa é ótima de trabalhar”, explicou Júlio.
Ele compartilhou o sentimento de poder fazer parte de um projeto tão importante para a cultura popular pernambucana. “Eu me senti muito feliz e muito honrado. Tenho muita gratidão por receber essa oportunidade de participar, homenagear, de estar junto aqui nesse grupo que tanto trabalhou nisso”, disse, emocionado.
E assim foi a entrega do Coração Fraterno do Galo Gigante: regada de emoção. Virginia Pimentel, diretora-executiva do Instituto Dom Helder Câmara, destacou a homenagem.
“É uma emoção. Ficamos imensamente emocionados, até com vontade de chorar, porque Dom Helder representa isso, esse Carnaval fraterno, que clama por paz e amor. Dom Helder é um gigante, como o Galo da Madrugada. São duas homenagens que se completam. Fazer esse cortejo, levar o coração, colocar no galo, vê-lo iluminado, pulsar, representa, mais do que nunca, que Dom Helder está entre nós. Ele viveu em santidade, deu sua vida para defender a paz, os pobres, os invisíveis e esse coração vai ser levado por esse povo para ser colocado no Galo. Então é muito emocionante”, expressou.
O padre Fábio Potiguar, capelão da Igreja das Fronteiras, onde morou Dom Hélder, enfatizou a importância da homenagem para o fortalecimento do legado do arcebispo. “O coração de Dom Helder era um coração cheio de amor, porque ele experimentou o amor de Deus. Ele espalhou o amor por onde ele passava no mundo inteiro e principalmente aqui Recife, onde ele foi o arcebispo. E Dom Helder é um homem assim profundamente conectado com Deus. Mas para ser conectado com Deus, tem que ser conectado com o povo”, falou.