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Sob forte comoção, amigos e familiares se despedem de adolescente vítima de tubarão em Olinda

Deivson Rocha foi enterrado nesta sexta-feira (30) sob forte comoção; adolescente morreu após um incidente com tubarão

Por Mareu Araújo

Corpo de adolescente que morreu após ataque de tubarão é enterrado em Olinda

Familiares, amigos e conhecidos de Deivson Rocha, de 13 anos, se reuniram, nesta sexta-feira (30), no Cemitério de Guadalupe, em Olinda, no Grande Recife, para prestar suas últimas homenagens ao jovem. O adolescente foi vítima de um ataque de tubarão na tarde do dia anterior, na Praia Del Chifre, no mesmo município.

Segundo familiares, Deivson estava no mar quando foi mordido na coxa direita. Moradores e banhistas que estavam no local retiraram a vítima da água. Ele chegou a ser levado para o Hospital Tricentenário, também em Olinda, mas não resistiu.

Ao redor do caixão, rostos jovens, que usavam camisas da rede pública de educação do Governo de Pernambuco, choravam e soluçavam a dor da falta do amigo. “Estou vendo uma sala de aula aqui”, comentou a professora de ciências Andréa Cysneiros, de 60 anos.

A professora cumprimentava seus alunos com abraços calorosos e afirmou a um deles que a segunda-feira (2), dia de início das aulas na rede estadual, seria difícil. Deivson iria para o oitavo ano e estudava na Escola de Referência em Ensino Fundamental Sigismundo Gonçalves e, para Andréa, era um menino tranquilo e de sorriso fácil.

“A escola está quase toda aqui”, completou. Nas redes sociais, o perfil da EREF Sigismundo Gonçalves compartilhou uma foto de Deivson, desejando luto, e escreveu: “Descanse em paz, meu amor!”. “Ele era um menino calmo, sereno. Um aluno que não dava trabalho com relação à disciplina”, lembrou a professora. “Só temos a lamentar a perda de um menino tão precocemente”. Emocionada, ela rezou o Pai Nosso e abraçou alguns de seus alunos.

Próxima à gaveta onde ele foi enterrado, a mãe e outros familiares de Deivson puxavam músicas religiosas que eram acompanhadas pelos presentes. Depois de fechada, um tio do jovem escreveu o nome completo, a data de nascimento e a data da morte. Por fim, escreveu: “Eternas Saudades”. Emocionados, os familiares de Deivson não quiseram dar entrevista.

ATAQUE

Em entrevista ao Diario de Pernambuco, na manhã desta sexta-feira (30), a avó de Deivson, Lúcia Barbosa, de 61 anos, comentou sobre os momentos que antecederam o incidente.

“Antes de Deivson sair, dissemos para ele não ir, pois ele iria apanhar. Quando foi às 15h e pouco, chegou a notícia que ele tinha sido atacado por um tubarão. Ele tinha ido encontrar com alguns colegas que estavam na praia. Ele ficou lá tomando banho e brincando feliz da vida, mas veio o tubarão e acabou a festa”, contou a avó.

O adolescente chegou a ser levado para o Hospital do Tricentenário, em Olinda, mas já chegou sem vida. De acordo com o médico Levy Dalton, o adolescente apresentava uma “lesão bastante extensa na perna direita, em uma região onde passam artérias importantes”, o que fez com que ele perdesse sangue de forma significativa.

“Deivson era um menino ótimo. Todo mundo aqui gostava dele. Ele era uma criança muito feliz, brincava com todos os coleguinhas dele, que infelizmente estão aqui todos chorando. Ele era um grande homem”, afirmou a avó do rapaz.

MONITORAMENTO

Segundo análise do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), o tubarão envolvido no ataque que resultou na morte de Deivson tem um comprimento estimado entre 3 e 3,5 metros.

A avaliação técnica foi realizada na manhã desta sexta-feira (30) pelo colegiado.

Conforme o Cemit, a lesão apresentava 33 centímetros de diâmetro e duas características distintas, uma porção lisa e outra retalhada, padrão compatível com dentição do tipo “garfo/faca”. Esse tipo de dentição é característico de tubarões do gênero Carcharhinus, especialmente do tubarão-cabeça-chata, espécie comum na Região Metropolitana do Recife.

Segundo o comitê, as condições ambientais do local do ataque, próximo à desembocadura de rios e áreas estuarinas, reforçam a hipótese levantada pelos técnicos, já que o tubarão-cabeça-chata possui afinidade com ambientes costeiros e de influência fluvial.