° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

"São crianças. Não é só uma placa que vai impedir", diz tia de criança morta em ataque de tubarão em Olinda

O corpo foi liberado na manhã desta sexta-feira (30), no IML; o velório acontece às 14h no cemitério de Guadalupe, no município de Olinda, na Região Metropolitana do Recife

Por Cadu Silva

O corpo de Deivson Rocha, de 13 anos, foi liberado na manhã desta sexta-feira (30), no IML, no Recife

“São crianças. Não é só uma placa que vai impedir”, disse Fabíola Kelly, tia de Deivson Rocha, de 13 anos, vítima de um ataque de tubarão na Praia del Chifre, em Olinda, Região Metropolitana do Recife. O corpo da criança foi liberado na manhã desta sexta-feira (30).

De acordo com familiares e moradores da comunidade, apesar da existência de placas que alertam para o risco de ataques de tubarão, não há fiscalização permanente no local. A praia é apontada como um dos poucos espaços de lazer disponíveis para crianças e adolescentes que vivem na região.

Segundo Fabíola, era comum que as crianças jogassem bola na faixa de areia e entrassem no mar, principalmente quando a maré estava baixa. “Às vezes era à tarde, quando vinham da escola, ou pela manhã. Eles sempre iam jogar bola na praia e depois tomar banho”, relatou.

Ela destaca que a falta de orientação no local contribui para a exposição ao risco. “Se tivesse um bombeiro ali, ele ia orientar a sair da água. São crianças. Não é só uma placa que vai impedir”, afirmou.

Moradores também criticam a demora no atendimento de emergência. Segundo Fabíola, quando ocorre um acidente, o socorro inicial costuma ser feito pela própria comunidade. “Se chama o SAMU, demora uma eternidade. Muitas vezes quem socorre são os vizinhos”, disse.

Questionada sobre a rotina dos moradores em relação ao risco de ataques de tubarão, a tia afirmou que o perigo é frequentemente comentado entre as famílias. “As mães falam, as pessoas avisam para não entrar, mas nem todo mundo dá ouvido. Quem mora ali só tem aquela praia para se divertir”, explicou.

Fabíola também falou sobre Deivson, descrevendo-o como uma criança brincalhona e carinhosa. Segundo ela, nos últimos tempos, o menino passava mais tempo em casa depois de ganhar um celular, mas ainda saía para brincar como outras crianças da mesma idade.