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Homem preso por dar facada no peito de ex-companheira agiu por ciúmes, diz Polícia

Polícia informou, nesta sexta (9), que o mototaxista Lucrécio Santos Silva tentou matar Roberta Brena por ciúmes ao vê-la com um homem em um bar

Por Mareu Araújo

Delegada Cecília Delgado, titular Delegacia de Moreno, e o delegado Gilberto Loyo, da Seccional da Sexta Delegacia

Preso por tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, o mototaxista Lucrécio Santos da Silva, de 30 anos, agiu por ciúmes, conforme apontam as investigações da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE). O crime ocorreu na madrugada de domingo (4), na saída de um bar em Moreno, Região Metropolitana do Recife.

Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (9), a polícia detalhou que Lucrécio se aproximou da vítima, Roberta Brena, armado com uma faca do tipo peixeira. Ele a golpeou no peito esquerdo e fugiu em uma motocicleta logo em seguida, sendo preso na quinta (8), na mesma cidade onde aconteceu o crime. A mulher foi levada para um hospital no Recife e passa bem.

O casal se relacionou por quatro anos com histórico de conflitos. Eles estavam separados há três meses, no entanto, segundo a polícia, o homem não aceitava o término. Em 2021, o suspeito já havia sido acusado pela vítima de atear fogo na residência dela.

De acordo com a delegada Cecília Delgado, titular da Delegacia de Moreno e responsável pela investigação, Lucrécio agiu com intenção de matar. “Ele só não conseguiu realmente consumar o crime de feminicídio porque ela se desviou na hora e pegou no peito dela", afirma.

O caso é investigado como tentativa de feminicídio qualificado, por utilizar recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima.

Depoimento

Em depoimento à Polícia Civil, obtido pelo Diario de Pernambuco, a vítima relatou que em suas tentativas de terminar o relacionamento de quatro anos, era “constantemente” ameaçada por Lucrécio.

No sábado à noite, ela contou que saiu para comemorar o aniversário do afilhado. “Em determinado momento, o autor Lucrécio chegou ao local e passou a questionar de forma agressiva o fato de um amigo da vítima estar com a mão sobre sua perna, iniciando uma discussão com os amigos da declarante”, diz trecho do depoimento.

Após ser contido por participantes da festa, o suspeito deixou o local. No entanto, quando a vítima saiu do bar para aguardar um mototáxi, foi surpreendida pelo retorno repentino de Lucrécio. “O autor desceu da motocicleta, [...] aparentando estar o autor sob efeito de bebida alcoólica, e sacou uma faca do tipo peixeira, que portava na cintura”, contou em depoimento.

Ainda conforme o documento, a vítima teria notado que o golpe poderia ser fatal e por isso se jogou para trás, sendo atingida na região da mama esquerda. Lucrécio estaria, segundo ela, “em estado de fúria extrema”, chegando a empurrar as pessoas que tentavam intervir.

A vítima declara, também, que está escondida “extremamente abalada emocionalmente e com fundado temor por sua vida, diante do histórico de violência e da capacidade do autor de lhe causar grave mal”, completa. No relato, a mulher afirma que os médicos disseram que ela “foi salva por um milagre”, apesar da significativa perda de sangue.

Por fim, a mulher pediu medidas protetivas de urgência, afirmando não desejar manter nenhum tipo de contato com o autor.

Medida protetiva

Segundo a Polícia Civil, o suspeito foi intimado pela Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher duas vezes para colocar uma tornozeleira eletrônica. O pedido foi feito pela vítima na Delegacia de Santo Amaro, onde abriu Boletim de Ocorrência contra Lucrécio.

Ele não teria comparecido à primeira convocação para a instalação do equipamento de monitoração, de acordo com a polícia. Foi na quarta-feira (7) que o suspeito se apresentou para colocar a tornozeleira.

No dia 8, após a instalação da tornozeleira, Lucrécio foi intimado a prestar depoimento na delegacia. "Ele se apresentou, acompanhado de dois advogados, certamente acreditando que livrou o flagrante, sem o conhecimento do mandado que estava sigiloso. Ali, nós demos a ordem de prisão", relatou a delegada. Ao ser informado sobre o mandado, o homem optou pelo silêncio, segundo Cecília.

A delegada explica que “a prisão de Lucrécio foi realmente pelo fato, pela gravidade do fato e pela possibilidade de reincidência e de fuga. A gente tem depoimentos de testemunhas dizendo que, logo depois do fato, ele buscou se evadir da cidade de Moreno".

O Diario não localizou a defesa de Lucrécio.