Surfix entra para associação nacional em meio à expansão recorde dos data centers no Brasil
Empresa pernambucana passa a integrar a ABDC, entidade que representa a cadeia produtiva do setor; mercado brasileiro cresce, em média, 15% ao ano e deve movimentar cerca de US$ 8 bilhões em investimentos em 2026
Em meio à expansão dos investimentos em infraestrutura digital no Brasil, a pernambucana Surfix Cloud & Data Center passou a integrar a Associação Brasileira de Data Center (ABDC), entidade que representa a cadeia produtiva da indústria de data centers no país.
A entrada ocorre em um momento de crescimento acelerado do setor, impulsionado pelo avanço da inteligência artificial, da computação em nuvem e pela necessidade cada vez maior de armazenamento e processamento de dados.
Dados da consultoria global JLL mostram a dimensão desse movimento. O mercado brasileiro de data centers vem crescendo, em média, 15% ao ano e já multiplicou por seis o seu tamanho desde 2012.
Somente em 2026, a previsão é de aproximadamente US$ 8 bilhões em investimentos e da entrada de 240 MW de nova capacidade no mercado. A taxa de vacância está em apenas 4%, sinalizando uma demanda elevada por infraestrutura.
A expansão também já aparece no sistema elétrico brasileiro. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), os pedidos de conexão relacionados a novos projetos de data centers cresceram 330% entre 2024 e 2025. O país conta atualmente com 205 data centers em operação e empreendimentos em construção que somam mais de R$ 114,5 bilhões em investimentos.
É nesse cenário que a Surfix passa a fazer parte de uma associação que reúne 226 empresas e agentes do setor. Criada em 2020, a ABDC é uma organização sem fins lucrativos que integra e representa toda a cadeia produtiva da indústria de data centers, incluindo operadores, fornecedores, fabricantes, empresas de engenharia, tecnologia e prestadores de serviços.
A entidade atua na formação de profissionais, desenvolvimento de normas técnicas, produção e disseminação de conhecimento e interlocução com o poder público. A proposta é fortalecer a competitividade do setor e criar condições para o crescimento da infraestrutura digital brasileira.
Para o CEO da Surfix Cloud & Data Center, Aresk Melo, integrar a associação aproxima a empresa pernambucana das discussões nacionais sobre os caminhos de uma infraestrutura que se tornou estratégica para praticamente todos os setores da economia.
“Não estamos entrando apenas em uma associação empresarial. Estamos passando a integrar um ambiente que reúne quem constrói, opera, fornece tecnologia e pensa os rumos da infraestrutura digital brasileira. É onde estão sendo discutidos temas como expansão, segurança, eficiência energética, qualificação profissional e ambiente regulatório. Para a Surfix, também é uma oportunidade de levar Pernambuco e o Nordeste de forma ainda mais ativa para esse debate”, afirma Melo.
Inteligência artificial acelera demanda
A corrida por novos data centers ganhou ainda mais força com a expansão da inteligência artificial. Treinar e operar modelos de IA exige grande capacidade computacional e, consequentemente, estruturas capazes de processar, armazenar e transportar volumes cada vez maiores de dados.
No primeiro trimestre de 2026, o Brasil alcançou pela primeira vez a marca de 1 GW de capacidade de TI comissionada em data centers, segundo dados da datacenterHawk divulgados pela própria ABDC. O avanço é atribuído, entre outros fatores, à expansão dos grandes provedores de tecnologia, da computação em nuvem e das aplicações de inteligência artificial.
O movimento também colocou o setor no centro das políticas públicas. Em setembro, foi sancionado o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), criado para estimular novos investimentos em infraestrutura de processamento e armazenamento de dados no Brasil.
Entre os objetivos estão incentivar estruturas destinadas à computação em nuvem, processamento de alto desempenho e treinamento e operação de modelos de inteligência artificial.
A política prevê ainda condições diferenciadas para investimentos realizados no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, numa tentativa de estimular a desconcentração regional dos empreendimentos.
Para Aresk, esse processo abre uma janela de oportunidade para Pernambuco. “O crescimento da inteligência artificial está aumentando de forma muito rápida a necessidade de processamento de dados. Mas essa infraestrutura não precisa ficar concentrada em poucos polos. Pernambuco tem mercado, conectividade, universidades, profissionais qualificados e um ecossistema de tecnologia consolidado. Existe uma oportunidade para o Estado ocupar uma posição mais relevante nessa nova economia digital”, avalia.
De Pernambuco para o mercado nacional
Com 23 anos de atuação no setor de tecnologia, a Surfix atende cerca de 500 empresas em todo o país e atua nas áreas de Data Center, Cloud, Cibersegurança, Conectividade e Telefonia Digital. A companhia emprega atualmente cerca de 60 profissionais.
Neste ano, a empresa alcançou outro marco ao se tornar o primeiro e único data center de Pernambuco com certificação internacional Tier III Facility, concedida pelo Uptime Institute, organização norte-americana referência mundial na avaliação da confiabilidade de infraestruturas críticas.
A Surfix investiu R$ 2,5 milhões no processo de adequação e certificação. A estrutura instalada no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, conta com redundância de energia e conectividade para manter os serviços em funcionamento mesmo diante de falhas em componentes da infraestrutura.
Desde a inauguração da estrutura, em 2019, a companhia informa registrar zero downtime, ou seja, sem interrupções da operação.
A empresa trabalha ainda com o conceito de edge data center, que busca manter o processamento e o armazenamento mais próximos dos usuários e das empresas. A proximidade reduz a latência, aspecto especialmente importante para aplicações críticas, automação e soluções que exigem respostas em tempo real.
Nordeste no radar dos investimentos
A descentralização dos data centers é uma das questões que começam a ganhar importância no setor. Hoje, boa parte da infraestrutura está concentrada no Sudeste, enquanto novas demandas de processamento e conectividade abrem espaço para outros mercados.
O próprio Redata passou a prever incentivos para estimular empreendimentos fora dos polos tradicionais. Para projetos instalados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a legislação reduz determinadas contrapartidas exigidas das empresas beneficiadas.
Além da expansão em Pernambuco, a Surfix planeja ampliar sua presença nacional. A estratégia da companhia prevê a implantação de data centers certificados Tier III em diferentes capitais brasileiras, e a Bahia está entre os próximos mercados previstos para receber uma unidade.
“Data center deixou de ser um assunto restrito às empresas de tecnologia. Hoje estamos falando de uma infraestrutura essencial para bancos, hospitais, indústrias, comércio, serviços públicos, plataformas digitais e inteligência artificial. Participar da ABDC nos permite contribuir para esse debate e, principalmente, trabalhar para que Pernambuco e o Nordeste tenham espaço nesse crescimento”, conclui Aresk Melo.