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Papa pede que preocupações com IA sejam 'levadas a sério'

Leão XIV prometeu às vítimas de agressões sexuais dentro da Igreja, em Lourdes, impedir novos casos

Por AFP

Papa Leão XIV chega no papamóvel para celebrar uma missa na Catedral de Saint-Étienne de Metz, em Metz, na França

O papa Leão XIV advertiu, nesta segunda-feira (28), que os alertas apocalípticos sobre a inteligência artificial (IA) "devem ser levados a sério", já que não são "notícias falsas", embora tenha dito não estar em "pânico".

"Se alguém me perguntasse: ‘você está em estado de pânico?’ Não, não estou. Durmo à noite", declarou aos jornalistas no avião de volta ao Vaticano após sua visita à França. Mas "acredito, sim, que as preocupações levantadas por muitos dos especialistas, especialistas em IA, devem ser levadas a sério", afirmou.

Durante sua visita apostólica à França, o papa americano advertiu repetidas vezes sobre a necessidade de proteger a humanidade da IA.

"Para não perdermos nossa humanidade em meio ao 'paraíso das máquinas', que invade e condiciona nossa vida cotidiana, é urgente que formemos mentes para o discernimento ético", disse Leão XIV em um discurso na sexta-feira em Paris.

O debate sobre os riscos associados a essa tecnologia se intensificou nos últimos meses, impulsionado por vários incidentes e alertas de profissionais do setor.

Durante o voo nesta segunda-feira, o papa disse que esses alertas não são "fake news, como alguns têm dito, destinadas a provocar, seja por razões financeiras ou por algum outro tipo de vantagem".

"Este é um problema que devemos, do meu ponto de vista, discutir juntos", acrescentou. E insistiu que "simplesmente dizer, 'Ah, isso não vai acontecer' e fechar os olhos para a questão não é provavelmente, na minha opinião, a forma mais responsável de proceder".

Em seu primeiro grande documento, a encíclica "Magnifica Humanitas" (Humanidade magnífica), publicada em maio, o líder da Igreja Católica fez um enérgico apelo para "desarmar" a IA a fim de "impedir seu domínio sobre os seres humanos".

Recentemente, o papa também intensificou suas intervenções e iniciativas em favor de uma governança internacional da IA baseada na dignidade humana, particularmente nas áreas de tecnologia nuclear, cultura e criação artística.

Agenda

A agenda do pontífice, de 71 anos, foi carregada: em Paris, além de criticar os vieses da IA e a "oferta de morte programada" com a eutanásia. Em Lourdes, prometeu às vítimas de agressões sexuais dentro da Igreja impedir novos casos.

A paz e a Europa protagonizaram a última etapa de sua viagem na cidade de Metz, em um contexto mutável entre a guerra na Ucrânia, o auge da extrema direita europeia e a imprevisibilidade do presidente americano, Donald Trump.

"Infelizmente, também na Europa, a guerra reapareceu nesta época (...) que a cada dia causa inúmeras vítimas civis", afirmou o papa durante um discurso no centro de congressos Robert Schuman.

"É preciso comprometer-se com um diálogo paciente, mostrar audácia na negociação e estarmos dispostos a sacrificar algumas posições pelo bem maior da paz", acrescentou Leão XIV, cujo pai desembarcou na Normandia durante a Segunda Guerra Mundial.