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Lula protocola no TSE autorização para abrir sigilos e desafia Flávio Bolsonaro a fazer igual

Petista incluiu familiares e empresas na autorização e pede divulgação pública dos dados antes do segundo turno. Documento também cita offshore ligada a advogado amigo de Flávio investigado pela PF

Por Nilton Vilanova

Desafio foi lançado por Lula durante o primeiro debate entre os dois candidatos, realizado pela Band no domingo (18)

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou nesta terça-feira (20) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico e dos dados de familiares e empresas, caso o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, faça o mesmo. A iniciativa ocorre cinco dias antes do segundo turno, marcado para domingo (25), e dá sequência ao desafio lançado por Lula durante o primeiro debate entre os dois candidatos, realizado pela Band no domingo (18).

No documento, Lula afirma que a divulgação dos dados dos dois candidatos antes da eleição seria necessária para que os eleitores possam avaliar as acusações trocadas durante a campanha. O pedido estabelece como referência os últimos oito anos e inclui informações relativas ao próprio presidente, a familiares e à empresa da qual ele é sócio. Lula também autoriza a abertura dos sigilos de Rosângela Lula da Silva, Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, Sandro Luís Lula da Silva e Luís Cláudio Lula da Silva.

No caso de Flávio Bolsonaro, o presidente propõe que a medida alcance também Jair Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro e Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, além das empresas relacionadas ao candidato.

A manifestação ainda solicita que os dados sejam disponibilizados publicamente por meio do sistema DivulgaCand, utilizado pela Justiça Eleitoral para reunir informações sobre candidaturas.

Offshore de advogado investigado pela PF

Um dos pontos mais sensíveis do documento é a inclusão da Alcazar Holdings, empresa registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, e ligada ao advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal em apurações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro. A PF identificou mensagens e e-mails que apontam Flávio Bolsonaro como "usuário master" de uma conta associada à empresa. Flávio e Tomaz negam irregularidades e já afirmaram que não existe vínculo financeiro ou societário ilícito entre eles.

O nome de Flávio aparece atualmente em um inquérito no Supremo Tribunal Federal, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. O processo tem como investigado o senador e foi instaurado a partir de investigação da Polícia Federal. A investigação envolvendo Tomaz ganhou relevância também por sua atuação em outros negócios.

Segundo reportagens recentes, a PF apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a operações envolvendo apostas e também encontrou elementos que indicariam acesso de Flávio a uma conta vinculada à Alcazar Holdings. As acusações são contestadas pelos envolvidos.

Empresas citadas

No documento entregue ao TSE, Lula afirma que possui apenas uma pessoa jurídica na condição de sócio: a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., da qual é sócio não administrador.

Em relação a Flávio Bolsonaro, o presidente lista a Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, a All In One Corretora de Seguros Ltda., a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda., a Bolsonaro Digital Ltda. e a Alcazar Holdings.

O pedido de Lula ocorre em meio à escalada de acusações pessoais entre os dois candidatos. Durante o debate de domingo (18), o presidente desafiou Flávio a abrir seus dados bancários e telefônicos, assim como os de seus familiares. Flávio afirmou que não tinha nada a esconder, mas não confirmou a adesão à proposta nos termos apresentados pelo adversário.

Na segunda-feira (19), Lula havia antecipado que levaria a autorização ao TSE. Em Porto Alegre, o presidente afirmou que decidiu incluir os filhos porque, segundo ele, sua família é alvo recorrente de acusações durante períodos eleitorais.